Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 21/10/2020

Segundo o filósofo Jürgen Habermas, o diálogo é primordial para estabelecer um consenso e, dessa forma, construir uma sociedade melhor. No entanto, nota-se que, no Brasil contemporâneo, esse princípio não é aplicado na prática, visto que a incapacidade de lidar com opiniões divergentes gera linchamentos virtuais, o que afeta social e psicologicamente o indivíduo linchado. Logo, para atenuar a problemática, é necessária uma intervenção educativa.

É importante ressaltar, em primeiro plano, que a falta de preparação para conviver pacificamente com pessoas que possuem valores díspares motiva a ocorrência desses atos virtuais violentos. Nessa perspectiva, em um dos vídeos da série “Construindo pontes e derrubando muros” da plataforma Papo de Homem, é exposto que a minoria dos brasileiros é disposta a conversar com sujeitos que pensam diferente, com o fito de auxiliá-los na superação de preconceitos. Sob essa ótica, vê-se que esse cenário alarmante faz com que ocorra a propagação intensa de discursos de ódio na internet, posto que há o prevalecimento da intolerância em detrimento do progresso coletivo do corpo social. Desse modo, a impossibilidade de introduzir conversas construtivas e saudáveis atua na estagnação da sociedade.

Ademais, vale destacar que os impactos desses ataques ultrapassam o espaço digital. De acordo com o filósofo Pierre Lévy, a tecnologia propiciou o surgimento da cibercultura, que diz respeito à transformação da cultura devido à influência do ambiente virtual. Diante disso, é notório que os eventos sucedidos na internet interferem no mundo real. Nesse viés, as vítimas de linchamentos virtuais são afetadas social e psicologicamente, uma vez que as agressões também são vivenciadas fora da rede. Desse maneira, esses indivíduos adquirem uma conduta de isolamento devido à fobia de sofrer repressão, o que pode desencadear o desenvolvimento de transtornos, como a depressão e a ansiedade.

Portanto, é imprescindível a adoção de medidas a fim de mitigar o quadro atual. Para tanto, com o objetivo de incentivar uma conduta consciente e adequada na internet, cabe ao Ministério da Educação, por meio da reformulação da Base Nacional Comum Curricular, inserir uma disciplina voltada à educação digital. Durante a elaboração das pautas que serão abordadas em tal matéria, psicólogos deverão ser consultados, haja vista o amplo entendimento desses profissionais no que tange aos aspectos comportamentais e mentais do ser humano, dado que o espaço virtual pode afetar esses fatores. Assim, os brasileiros assumirão a postura consciente mencionada por Jürgen Habermas e o país progredirá.