Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 06/10/2020

O movimento conhecido atualmente como “a cultura do cancelamento” se iniciou como uma forma de chamar a atenção para causas como justiça social e preservação ambiental. Seria uma maneira de aumentar a visibilidade de grupos oprimidos e impor ações condescendentes de marcas e figuras públicas. Contudo, esse movimento seguiu um caminho divergente de seu objetivo principal, levando ao “linchamento” virtual, de todos aqueles que a conduta não seja aceita para os internautas. Nessa perspectiva, convém analisar os fatores e os impactos que norteiam a questão da cultura do cancelamento no Brasil.

De fato, este fenômeno é um reflexo da falta de empatia presente na sociedade atual, assim como, o falso moralismo cada vez mais intensificado com a instauração das redes sociais. O filósofo Michel Foucault, em sua obra “vigiar e punir”, apresenta os diferentes poderes presentes na sociedade, que buscam o controle de gestos, saberes e formato de comportamento. Nesse sentido, é notável que o cancelamento praticado por determinados internautas condiz com a moral de um grupo que detém o poder em certo contexto social. Sendo assim, uma justificativa para impor normas de acordo com o que acreditam. Mas, que muitas vezes se contradizem por apenas julgar o próximo e não estarem dispostos ao diálogo.

Assim pois, a cultura do cancelamento dificulta o diálogo e impossibilita uma possível mudança de posicionamento e atitude. Nessa lógica, o movimento na maioria das vezes não abre espaço para uma troca de opinião, sendo uma busca desenfreada pela “justiça”, que favorece para indivíduos intolerantes que não só cancela a fala do outro, mas também a vida social.

Em conclusão, é notório que esta “onda” de cancelamentos é um fenômeno negativo, que necessita ser combatido. Para isso, cabe à mídia, com o seu grande potencial influenciador criar campanhas que abordem as consequências deste movimento, a fim de que os “canceladores” e a sociedade em geral se conscientizem que o mesmo é desnecessário e que a mudança efetiva é através do diálogo. Por fim com essa medida, a sociedade poderá se desfazer gradativamente dos micropoderes definidos pelo filósofo Foucault.