Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 02/10/2020

A liberdade de expressão, princípio constitucional que rompeu com a censura da ditadura militar, é o direito de manifestar ideias, opiniões e pensamentos pessoais sem ser ofensivos. Com o avanço da tecnologia, o linchamento de pessoas cresceu com a utilização das redes sociais, pois em questão de minutos, postagens, vídeos e imagens se espalham e indivíduos têm sua vida exposta, atacada e arruinada, podendo até servir como um “bode expiatório” daquilo que a sociedade julga ser errado. Esse ato de intolerância nas redes pode acarretar tanto em problemas psicológicos para a vítima, a qual pode  vir a perder o emprego por constrangimento do empregador, quanto para o autor do ato que dependendo das ofensas publicadas, pode tornar-se réu em uma acusação por parte da vítima.

É perceptível que grande parte de pensamentos e opiniões postadas na internet são entendidas de forma incorreta ou da maneira que o  usuário quer compreender, sendo esse um dos principais motivos para comentários ofensivos da parte dos leitores que usam o teclado do computador como arma no meio digital. Não raro, o linchamento virtual resvala para a violência física. É o caso de Fabiane Maria de Jesus que , segundo o Jornal Estadão, foi assassinada após ser acusada de praticar magia negra e sequestrar crianças. O boato surgiu na internet, junto a relatos falsos de testemunhas. Fabiane foi espancada até a morte por moradores, após ser confundida com um retrato falado da suposta sequestradora. O linchamento foi filmado e divulgado na internet, onde viralizou. Entretanto, dois anos após o acontecido descobriu-se que o retrato não tinha ligação alguma com o boato.

Além disso, é notável que os julgamentos feitos na redes sociais são em sua maioria altamente ofensivos e sem base em alguma comprovação, portanto podem ocasionar em vários problemas para o indivíduo que está sendo julgado erroneamente. Podendo sofrer ameaças de morte, depressão, problemas psicológicos, físicos e financeiros, a vítima dessa violência virtual é a mais prejudicada. Entretanto, o usuário, autor do comentário não sai impune. Atualmente, a pena para linchamento pode chegar a 30 anos de prisão, com acusações de dano moral, injúria, calúnia e difamação, por exemplo.

A fim de reverter a problemática que envolve a intolerância e o discurso de ódio nas redes sociais, são necessárias algumas ações. Cabe à Secretária de Segurança Pública ampliar as delegacias especializadas em crimes virtuais, com eficiência, como nos estados do Paraná e de São Paulo. Além disso, é preciso orientar, por intermédio de palestras e debates em escolas, pois são instrumentos promotoras de criticidade, os jovens, que são os maiores usuários de redes sociais, a denunciar páginas que divulgam conteúdos discriminatórios. Assim será possível combater os linchamentos virtuais e dar a todos a liberdade de expressão.