Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 01/10/2020
René Girard, historiador francês, alertou que a violência no homem não é instintiva, mas intersubjetiva e social, a qual pode ser mantida pela sociedade. Nesse sentido, é de suma importância analisar os linchamentos virtuais- cenário que ratifica o conceito de Girard-, sob o prisma, das motivações e da gravidade de tal comportamento na modernidade. Desse modo, verifica-se como ferramentas da questão supracitada, não só um sistema educacional deficitário, mas também a falta de efetivação das garantias constitucionais.
A princípio, o professor Paulo Freire dissertou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação sociocultural. No entanto, ao perceber os crescentes casos de linchamentos virtuais, nota-se um corpo social distante da pedagogia de Freire, dado que os indivíduos não conseguem enxergar o outro como parte integrante do todo. Nessa lógica, tal comportamento é, sobretudo, motivado pela falta de altruísmo e, consequentemente, acarreta maiores proporções no contexto dos computadores conectados à internet, uma vez que, como bem alertou o filósofo Heidegger, em 1950, o pensamento computacional tornar-se-ia uma forma prevalente de pensar. Dessa maneira, observa-se um sistema educacional deficitário, o qual não dialoga com ideias freireanas e, portanto, não consegue formar cidadãos mais diligentes quanto a um comportamento pacífico nas redes.
Outrossim, a Constituição Cidadã explicita que é dever do Estado proporcionar um ambiente harmonioso. Entretanto, a realidade expõe uma contrariedade. Esse paradoxo expressa-se, na verdade, à medida que não há políticas públicas eficientes, com o fito de dirimir os linchamentos virtuais no tecido social. Nessa perspectiva, os fatos expostos ecoam o ‘‘Enigma da Modernidade’’, do pensador Henrique de Lima, o qual elucida que, apesar de a sociedade ser avançada em suas teóricas, é, por sua vez, primitiva em suas razões éticas. À vista disso, a dissonância entre a narrativa factual e a Carta Magna precisa ser solucionada.
Logo, é fundamental que o Poder Executivo, por meio de debates com o Ministério da Educação, desenvolva uma reforma educacional, a fim de formar cidadãos mais altruístas. Posto isto, é imprescindível que tal ação foque, principalmente, nas ideias de Freire. Ademais, é importante que as ONGs (Organizações não Governamentais), aliadas à mídia, realizem campanhas- mediante depoimentos de cientistas sociais- sobre a necessidade de o Estado criar políticas públicas, com o intuito de efetivar as garantias constitucionais. Dessa forma, atenuar-se-ão os linchamentos virtuais e, por fim, obter-se-á um comportamento, na pós-modernidade, que destoa do conceituado por Girard. ´