Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 26/10/2020
De acordo com o sociólogo e professor da USP, José Martins de Souza, acontece um linchamento por dia no Brasil. Hoje, além dos linchamentos físicos, os virtuais são um grande problema. Seja pelo anonimato que o meio digital proporcional, seja pela personificação do crime em seu agente.
Em primeira análise, é importante ressaltar que o mundo virtual facilita o anonimato de modo a dificultar a aplicação de punições para quem excede o direito a opinião. A professora Lola Aronovich, por exemplo, autora de um dos maiores blogs feministas do Brasil, recebe ameaças desde 2010 por conta do conteúdo que publica. Em sua maioria, no entanto, os ataques são anônimos o que dificulta a prisão de seus autores.
Outrossim, a personificação do crime pela pessoa que o comete é algo comum na rede. Em dezembro de 2013 Justine Sacco, assessora de relações públicas de Donald Trump, publicou em seu “Twitter” que não pegaria aids pois era branca. Esse comentário, portanto, fez com que as pessoas vissem Justine como a personificação do racismo e ela recebeu mais de 100 mil mensagens de ódio e ameaças de morte em menos de 12 horas da publicação do seu comentário. Em adição às ameaças, Justine foi demitida. Um brincadeira de muito mal gosto que tomou proporções gigantescas por conta da personificação do racismo à pessoa de Justine.
Nesse sentido, para mitigar os linchamentos virtuais é necessário que as empresas responsáveis pelas redes sociais desenvolvam, por meio do uso da tecnologia de inteligência artificial, algoritmos que bloqueiem comentários agressivos. Dessa forma, além de acabar com a sensação de medo por parte das vítimas, o crime deixaria de existir por conta de uma impossibilidade técnica.