Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 01/10/2020
A violência, segundo o historiador René Girard, no homem não é instintiva, mas intersubjetiva e social, a qual pode ser mantida, portanto, pela sociedade. Nesse sentido, é de suma importância analisar os linchamentos virtuais- comportamento que ratifica o conceito de Girard- sob o prisma das motivações e a gravidade desses atos na pós-modernidade. Desse modo, verificam-se como ferramentas que fomentam tal conjuntura, não só um sistema educacional deficitário, mas também a falta de efetivação das garantias constitucionais.
A princípio, o professor Paulo Freire dissertou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação cultural, pois, viabiliza a tomada de consciência social do indivíduo. No entanto, ao perceber os casos crescentes de linchamentos virtuais, nota-se uma sociedade distante da pedagogia de freire, uma vez que falta-se altruísmo em tais relações. Nessa lógica, o homem pós-moderno não enxerga o outro como parte integrante do todo e, consequentemente, tal postura torna-se uma força propulsora que motiva, nesse contexto, as agressões na internet. Dessa maneira, visualiza-se um sistema educacional deficitário, o qual não dialoga com as ideias freireanas e, assim, não consegue formar cidadãos mais pacíficos na web.
Outrossim, a Constituição Federal explicita que é dever do Estado garantir um ambiente harmonioso a todos. Entretanto, observa-se uma outra realidade: não há políticas públicas eficientes, com o fito de dirimir os linchamentos virtuais, seja pela falta de punição a grande maioria dos agressores, seja pela falta de fiscalização as relações que permeiam na internet. Nessa perspectiva, os fatos expostos ecoam o ‘‘Enigma da Modernidade’’, do filósofo Henrique de Lima, o qual elucida que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, a dissonância entre a narrativa factual e a Carta Magna precisa ser solucionada.
Logo, é fundamental que o Poder Executivo desenvolva uma reforma educacional- por meio de debates com o Ministério da Educação-, a fim de dirimir as motivações dos atos agressivos na web. Posto isto, é imprescindível que tal ação de intervenção foque, principalmente, nas ideias de Freire. Ademais, é importante que as ONGs (Organizações não Governamentais), aliadas à mídia, realizem campanhas- mediante depoimentos de cientistas sociais sobre a gravidade do comportamento violento- que expliquem a necessidade de o Estado criar políticas públicas eficientes, com o intuito de efetivar as garantias constitucionais. Dessa forma, resolver-se-ão os emblemas relacionados aos linchamentos virtuais e, por fim, obter-se-á uma sociedade distante do conceito de Girard.