Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 02/10/2020

De um lado, informações a todo momento e velocidade de comunicação. De outro, pessoas expondo suas vidas e opiniões a todo instante e sem qualquer autocontrole. Esta sensação de efemeridade evocada pelo imediatismo digital corrobora para o aumento da agressividade na internet, levando a falsos veredictos impostos pelos próprios usuários uns sobre os outros. Indubitavelmente, os linchamentos virtuais têm origem nesse cenário propício a agressividade, causando assim insegurança e desconforto para os próprios membros da comunidade virtual.

Como defende a pesquisadora da Unicamp, Karen Mercuri, os linchamentos virtuais também são reais, a vítima por trás da tela tem família, sentimentos e uma vida social, indo além de seu avatar na internet. Um claro exemplo de um como os linchamentos virtuais tem impactos na vida do indivíduo foi o que ocorreu, em 2014, com Fabiane de Jesus, que foi assassinada após surgirem boatos na internet de que a mesma praticava magia negra e sequestrava crianças, o boato que começou apenas na internet acabou com um linchamento físico, e a mulher foi morta, após investigações constatou-se que a mulher não tinha nenhuma relação com os boatos divulgados.

Inclusive, grande parte dessa agressividade é gerada pela desinformação, pois muitos usuários acreditam que a internet seja um espaço no qual é possível expressar suas opiniões sem qualquer restrição, mesmo que essas ofendam aos demais. Dessa forma, muitos acabam reagindo de uma forma muito mais intensa do que reagiriam fora do ambiente virtual. Aliado a isso, segundo uma entrevista realizada pela BBC, pessoas frustradas são as de comportamento mais agressivo na internet, dessa forma, aquelas as quais são vítimas de um linchamento virtual hoje, futuramente se tornarão as que atacam outros usuários, aumentando ainda mais a disseminação de ódio na internet.

Portanto, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos, responsável por promover políticas públicas e a inclusão, estimular campanhas que incentivem um bom convívio virtual, de tal forma que se crie um ambiente na internet mais seguro e menos agressivo, diminuindo assim os linchamentos e a intolerância.