Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 02/10/2020
Com o surgimento da internet, as pessoas se acostumaram a dispor de tudo instantaneamente, através de uma conexão cada vez mais rápida e facilitada entre elas. Contudo, se não usada de maneira ideal, ela pode se tornar uma ferramenta maléfica, onde sustentados na liberdade de expressão, os usuários podem se tornar vítimas de linchamento virtual, o que configura um grande problema social.
Naturalmente, os usuários das redes sociais sentem-se mais confortáveis em dizer o que pensam escondidos atrás de uma tela e de um falso anonimato. Desse modo, discursos considerados como intolerantes passam a ganhar espaço no mundo virtual. A pesquisadora da Unicamp Karen Tank Mercuri Macedo afirma: “O linchamento virtual muitas vezes acontece por falta de letramento digital. Se a pessoa não tem uso crítico da tecnologia, não conseguirá avaliar a fonte das informações que recebe e pode se tornar um linchador ou linchado em potencial.”.
Da mesma forma, em dezembro de 2013, Justine Sacco estava no aeroporto esperando um voo de Londres para a Cidade do Cabo, na África do Sul, quando postou em sua rede social: “Indo para a África. Espero não pegar aids. Brincadeira! Sou branca.”, essa postagem fez com que ela recebesse mais de 100 mil mensagens de ameaça e repúdio, além de ter sido demitida após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump escrever que gostaria que ela perdesse o emprego. Cristina Cypriano, doutora em sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, declara que o linchamento virtual causa danos emocionais e psíquicos, e provoca adoecimento. Em outras palavras, essa atitude é totalmente nociva tanto a quem sofreu o linchamento, quanto ao mundo virtual como um todo.
Portanto, a fim de evitar o mau uso das ferramentas digitais, cabe ao Governo Estadual investir na segurança pública especializada em crimes virtuais, e às Escolas promoverem a orientação dos alunos quanto ao uso correto da internet, ensinando a maneira correta de combatê-los. Dessa forma, será possível construir uma sociedade mais justa e tolerante.