Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 05/10/2020
Na série Black Mirror no episódio Odiados pela Nação, a personagem Clara Meades posta nas redes sociais uma foto em que simula estar urinado em um monumento de guerra, onde as marcas de ódio que recebe pode ter tanta força quanto o ataque das abelhas-drones. Esse panorama auxilia na análise da questão dos desafios que as pessoas que sofrem linchamento virtual passam, visto que muitos perdem o emprego pois desenvolvem depressão e passam a se recusar a sair de casa. Nesse sentido, é preciso entender suas verdadeiras causas para solucionar esse problema.
Em primeiro plano, evidencia-se que o linchamento tem carácter vingativo, de punir com força redobrada. Assim, ao analisar o meio digital, nota-se que existe sempre um poder, um grupo mais privilegiado, e se você não se encaixa no grupo homogênea, é destruído nem que seja só com palavras. Prova disso, é, o cantor funk MC Brinquedo de 19 anos, após ser friamente julgado por sua aparência, decidiu fazer um procedimento de harmonização facial e também aplicações de lente de contatos dentes, e recebeu uma série de críticas, o que levou a apagar todas as fotos e decidir abandonar as redes sociais.
Outrossim, vale ressaltar que essa situação é corroborada por fatores socioculturais. Isso se deve ao fato de que, a cultura do cancelamento cresceu tanto que hoje as pessoas não podem simplesmente expressar sua opinião, pois alguém discorda e detona seu psicológico apenas por pensar diferente, por ter um posicionamento contrário ao dele. Lamentavelmente, tal perspectiva cresce a cada dia mais. Bom exemplo disso, são os índices revelados pela Mindminers onde 62,4% das pessoas entrevistadas já deixou de usar as redes sociais e 17,1% delas deixou de usar pois interferiam em seu relacionamento pessoal. Dessa maneira, percebe-se que os meios digitais se tornaram tóxicos.
Logo, medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental, portanto que o Governo crie leis específicas e mais rigorosas, que venha ser explicadas nas escolas por meio de palestras, visando coibir essa prática lesiva aos direitos humanos e administrativo judicial. Ademais, é necessário a criação de normas efetivas nos meios digitais, por meio do dono dos aplicativos, visando a maior segurança para aqueles que à usam. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora das condições sobre esse assunto.