Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 05/10/2020

Durante a ditadura militar, as pessoas que tinham opiniões divergentes das do governo vigente eram censuradas, sendo torturadas e até mesmo mortas. Anos depois do fim desse regime, têm-se visto algo similar nas redes sociais: o linchamento virtual, o que se deve, em suma, à sensação de liberdade existente nas redes e à impunidade dos agressores.

Em primeira análise, é válido ressaltar que ter a tela de um aparelho como intermediário das ofensas trás um conforto ao internauta. De acordo com a filósofa Hannah  Arendt, quando algo violento ocorre constantemente, as pessoas deixam de vê-lo como errado. Dessa forma, ao fazer um comentário depreciativo e ver que nada aconteceu, isso se torna comum ao indivíduo e fortalece o discurso de ódio nas redes sociais.

Outrossim, a impunidade dos internautas que praticam o linchamento virtual fomenta esse impasse. Segundo a Constituição de 1988, a proteção governamental é um direito social dos cidadãos brasileiros. Entretanto, esse direito não tem sido suprido pela edilidade, o  que resulta no “cancelamento” de cada vez mais pessoas nas redes pelos motivos mais esdrúxulos, o que pode causar vários problemas mentais nos “cancelados”.

Diante dos fatos supracitados, cabe ao Ministério da Justiça, por meio de verbas governamentais, investir em tecnologias de rastreamento de endereço de IP e em funcionários capacitados para tal serviço, objetivando tornar viável o encontro dos responsáveis pelas agressões verbais e a punição de cada um deles. Assim, será possível deixar os aspectos da ditadura militar apenas nos livros de história e viver em uma sociedade na qual luta-se contra ideias, não contra pessoas.