Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 04/10/2020

A vitima de um linchamento virtual geralmente “cumpre a função ritual e sacrificial de bode expiatório” escreve José Martins de Souza, sociólogo e professor da USP, no livro Linchamentos: a justiça popular no Brasil.

Apesar das diferenças entre linchamento virtual e o físico, a efeito de pesquisa, a distinção é menos acentuada: “o linchamento virtual também é real. A pessoa tem família, vida social, não é só um avatar” explica a pesquisadora da Unicamp Karen Tank Mercuri Macedo, que estudou o tema. “Acreditamos que o linchamento virtual muitas vezes acontece por falta de letramento digital. Se a pessoa não tem uso  crítico da tecnologia, não conseguirá avaliar a fonte das informações que recebe e tem mais chances de ser um linchador ou linchado em potencial."

Não raro, o linchamento virtual resvala para a violência física — é o caso de Fabiane Maria de Jesus, dona de casa assassinada em maio de 2014, no Guarujá, após ser acusada de praticar magia negra e sequestrar crianças. O boato surgiu na internet, junto a relatos falsos de testemunhas. Fabiane foi espancada até a morte por moradores, após ser confundida com um retrato falado da suposta sequestradora. O linchamento foi filmado e divulgado na internet, onde viralizou. Depois, descobriu-se que o retrato havia sido feito em 2012 por policiais do Rio de Janeiro, em um caso sem relação alguma com o boato. O linchamento tem caráter vingativo, de punir com força redobrada o suposto crime original. É uma forma de a sociedade julgar a ineficiência dos procedimentos oficiais de justiça. “A hipótese mais provável é a de que a população lincha para punir, mas sobretudo para indicar seu desacordo com alternativas de mudança social que violam valores e normas de conduta tradicionais”, escreve Martins. “O linchamento não é uma manifestação de desordem, mas de questionamento da desordem.

A intolerância, a grosso modo, é causada pelos principais fatores das pessoas não conseguirem filtrar as informações que recebem nas redes sociais, tornando-as como verdades e a sensação de justiça da população em relação aos procedimentos oficiais de justiça.

Depreende-se que para a solução desse problema social que atualmente, se  torna cada vez mais frequente, seria uma parceria entre o ministério da educação e o centro de mídias para que haja uma reeducação na nova era digital e com a emissão de propagandas alertando o quão importante é o aprendizado do letramento digital e o cuidado com as fake news que estão nas redes sociais.