Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 04/10/2020
Em uma de suas obras, o geógrafo Milton Santos debate o quanto a globalização foi benéfica para contemporaneidade, mas que também possui sua face perversa. Diante disso, as redes sociais é parte da perversidade que a globalização trouxe, uma vez que esse ambiente é marcado por linchamentos virtuais, que é fruto de uma sociedade omissa e que faz com que a ansiedade e depressão sejam as doenças do século.
De início, vale ressaltar que a omissão da sociedade é fruto de cidadãos que não se preocupam com o bem-estar do outro. Diante disso, a população quando se depara com algo que discorda de seus pensamentos/ideais não só quer impor sua verdade como o outro, como também não se preocupa em mostrar o porquê que aquilo divulgado está errado, a preocupação gira em torno apenas do julgamento e não do ensinamento. Exemplo claro dessa realidade, é o que aconteceu com a influencier Gabriela Pugliesi, que ao furar a quarentena foi muito julgada, com mensagens extremamente violentas, que fez com que ela passasse meses fora das redes sociais. Fica nítido,portanto, que a contemporaneidade é marcada por esses linchamentos virtuais, e, assim, apesar de o Brasil ser dito ‘‘país de todos’’, definitivamente não é, uma vez que quem pensa ou faz algo que não esta de acordo com os princípios da maioria, sofre exclusão social.
Diante desse cenário de linchamento, a contemporaneidade é marcada pela geração da ansiedade e depressão, fato que é provado por dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde que mostra que 86% dos brasileiros têm algum transtorno mental. Diante do exposto, milhares de indivíduos sofrem com doenças mentais pela falta de empatia da sociedade, o que é um grande problema para o país, uma vez que essas doenças estão ligados intimamente com o aumento do suicídio, que já se tornou um problema de saúde pública, uma vez que o Estado enfrenta diversos desafios para erradicar esse ato.
São necessários, portanto, medidas e ações para mudar esse cenário. O Ministério da Educação deve influenciar os jovens a não praticarem o linchamento virtual, por meio do incremento de aulas nas escolas com profissionais especializados que mostrem o tamanho do problema que esse ‘‘cancelamento’’ traz ao indivíduo, com o intuito de diminuir essa prática, e, assim, construir uma sociedade mais saudável, com menos índices de depressão, ansiedade e suicídio. Nessa perspectiva, uma das faces mais cruéis da globalização diminuirá.