Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 05/10/2020

Sob a perspectiva do filósofo prussiano Immanuel Kant, “É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade”. De maneira análoga, percebe-se que há, no Brasil, um déficit educacional que traz consigo uma série de adversidades, entre elas os linchamentos virtuais. Dessa maneira, urge que medidas sejam tomadas para amenizar a problemática, que é motivada não só por constantes compartilhamentos irresponsáveis, mas também pela carência de educação no país.

Em primeiro plano, é incontestável que o discurso de ódio e a distorção do direito de liberdade de expressão estão entre as causas do problema. Isso, consoante o pensamento do filósofo francês Voltaire, “Posso não concordar com o que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizê-lo”, expõe que esse conceito se encontra deturpado no território brasileiro, uma vez que o desconhecimento entre o limite de liberdade de expressão influencia diretamente em atitudes equivocadas e inadequadas na internet. Sob tal óptica, o indiscutível e inadmissível compartilhamento de ideias que incitem a discriminação e alimentam o desrespeito estimulam a existência de um “Tribunal Virtual” e a cultura do cancelamento.

Ademais, convém ressaltar a deficiência da funcionalidade do fator educacional como mais um desafio a ser combatido. Assim, faltam medidas efetivas por parte das autoridades competentes. Segundo o filósofo italiano Nicolau Maquiavel, no livro “O Príncipe”, para se manter no poder o governo deve operar tendo como objetivo o bem universal. Diante disso, é notório que, no país, a condução governamental se mostra incoerente essa paridade, visto que os investimentos destinados à educação só decrescem e os dias constitucionais previstos no artigo 205 da Carta Magna permanecem somente no papel. Desse modo, é evidente que existem falhas no princípio de isonomia, no qual todos devem ser instruídos igualmente, com direito à educação e à saúde, ao mesmo tempo em que a inconsciência e o descuido de muitas percepções insensíveis compartilhadas na internet sujeitam a sociedade a uma tensão virtual.

Portanto, para que a cultura do cancelamento deixe de existir no contexto brasileiro atual, providências precisam ser tomadas. Por isso, a mídia deve investir em comerciais educativos por meio de propagandas instrucionais e pela conscientização dos cidadãos sobre atitudes implícitas cometidas em redes sociais para que assim não sejam cancelados e, consequentemente, haja um estímulo para o desenvolvimento da empatia na sociedade brasileira. Evidentemente, outras iniciativas devem ser tomadas, pois, de acordo com Confúcio, não corrigir nossas falhas é cometer novos erros.