Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 06/10/2020

A princípio, a Constituição Federal de 1988 garante o direito ao bem-estar social para todos os indivíduos. Entretanto, observa-se que os profissionais do Brasil, muitas vezes, não gozam do uso íntegro dessa prerrogativa estatal, visto que a sobrecarga no ambiente de ofício vem acarretando em dificuldades físicas e mentais nesses cidadãos. Esse cenário desafiador é fruto de atos abusivos por parte de empregadores e da falta de ineficiência da fiscalização por parte do Poder Público.

A princípio, destaca-se o rompimento de equilíbrio entre as esferas do lazer e profissional de um indivíduo. Segundo Zygmunt Bauman, a tecnologia é uma armadilha. Nesse sentido, com o advento da internet, frequentemente, empresas, adotam o trabalho em casa sem preparar de forma eficiente seus funcionários, como apontou a Fundação Instituto de Administração. Como consequência disso, o empregado não consegue dissociar o serviço do resto de sua vida, colocando sua saúde em risco.

Ademais, de acordo com Thomas Hobbes, o Estado é o gestor dos interesses coletivos. Indo de encontro a essa perspectiva, observa-se que o Poder Público, muitas vezes, age de forma ineficiente em relação ao amparo dos direitos trabalhistas. Como exemplo, observa-se uma jornalista de Rede Globo que ao adquirir a síndrome de Burnout exercendo sua profissão, foi demitida mesmo com a existência de leis que proíbam essa postura da empresa. Consequentemente, funcionários colocados em risco por excesso de serviços são desrespeitados pela falta de eficiência estatal.

Portanto, as condições de ofício no Brasil são marcadas por fragilidades. Sendo assim, é necessário que o Governo Federal, por meio do Ministério do Trabalho, incentive práticas de autocuidado, implementando reuniões em empresas mediadas por psicólogos que auxiliem no planejamento da rotina dos funcionários, a fim de evitar sobrecargas. Além disso, necessita-se que as Secretarias do Trabalho atualizem suas medidas de monitoramento dos direitos empregatícios, promovendo averiguações frequentes de abusos nas relações virtuais entre empresas e empregados. Talvez, dessa forma, seja possível diminuir abusos profissionais, garantindo o funcionamento íntegro das benesses constitucionais.