Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 06/10/2020

Segundo o filósofo Aristóteles a “base da sociedade é a justiça”. No entanto, o contexto Brasileiro hodierno contraria esse pensamento, pois os linchamentos virtuais configuram-se como uma grave questão de injustiça, uma vez que afetam de forma negativa a vida de muitos indivíduos. Sendo assim, é crucial entender que a problemática espelha não só a irracionalidade dos agressores, mas também uma grave lacuna constitucional.

Convém ressaltar, a princípio, que a irracionalidade motiva esse preocupante cenário. Sob esse viés, o filósofo Hegel defende que a razão rege o mundo. Entretanto, pode-se perceber que os linchamentos virtuais não seguem essa premissa, dado que muitos agressores movidos por um sentimento de passionalidade agridem as vítimas sem promover um raciocínio crítico sobre os malefícios que seus comentários podem provocar. Desse modo, essa incapacidade empática gera um ciclo vicioso de ataques nas redes que corrobora nesse panorama desafiador.

Em paralelo, a gravidade dessa questão se dá por meio da falha legislativa. Nesse sentido, é válido lembrar que a Constituição Federal de 1988 foi baseada no sonho de garantir a proteção e o bem-estar de todos os brasileiros. Todavia, é notório que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor desses direitos, visto que os linchamentos virtuais colocam em risco a integridade moral e a saúde psíquica das vítimas, por conta das inúmeras agressões.

Portanto, com a finalidade de propor amplos debates sobre assa caótica questão e, assim, acabar com a irracionalidade sobre o tema e fazer valer a legislação, urge que o Ministério da Justiça, em parceria com o MEC, faça “workshops”, nas escolas, que discutam o tema, por meio de dinâmicas interativas que permitam que as pessoas percebam a gravidade do problema. Ademais, de modo a reforçar a ação, essas devem acontecer em horários extra aula e serem abertas a toda a comunidade. Somente assim a máxima de Aristóteles se concretizará.