Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 06/10/2020
Na obra “O Doador de Memórias”, da escritora americana Lois Lowry, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos, violências e desigualdades. Contudo, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que a autora prega, uma vez que cada vez mais é possível perceber o aumento de comportamentos agressivos virtualmente. Esse cenário antagônico é fruto, sobretudo, do descaso da civilidade e da inatividade das instituições.
Em primeiro plano, observa-se que com avanço da internet houve um aumento de conflitos entre as pessoas. Sob essa ótica, de acordo com o filósofo Aristóteles, o homem é um ser social e, por isso, precisa estabelecer relações harmoniosas. Entretanto, nos dias atuais, devido à problemática dos linchamentos virtuais, motivada por divergências de opiniões, alguns usuários se afastaram do preceito do pensador, infringindo até mesmo os limites de civilidade. Destarte, medidas urgentes são necessárias para minorar o problema.
Em segundo lugar, é imperativo ressaltar a baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à responsabilidade de garantir segurança e liberdade aos brasileiros, também em ambiente virtual. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar social da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de políticas efetivas, comentários preconceituosos, ofensas e outras formas de agressão perpetuam-se no meio digital. Dessa forma, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para reduzir a problemática. Para isso, cabe ao Ministério da Justiça criar, por meio de decretos, leis e medidas socioeducativas que punam as diversas formas de agressões em ambiente virtual, a fim de mostrar que qualquer desrespeito ao código penal na internet não será tolerado. Além disso, compete ao legislativo, em comum acordo com o Judiciário, corroborar com a iniciativa do Executivo. Dessa forma, o problema será minimizado.