Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 12/10/2020

“A tecnologia move o mundo”. A máxima desenvolvida por Steve Jobs, fundador da Apple, reflete sobre a importância do ambiente digital para a melhoria da vida das pessoas. No entanto, é notório que, no contemporâneo, essa tecnologia tem seu papel distorcido por substancial parcela de seus usuários, em que seu uso se destina para destilar o ódio e a discriminação. Nessa perspectiva, levantam-se, em contraponto, os “justiceiros” com graves ameaças, condição nociva para as instituições democráticas. Com efeito, hão de se combater: a inércia estatal e a submissão ao ciberespaço.

Em primeiro plano, a internet é uma tecnologia recente no contexto da humanidade, e a falta de uma legislação específica motiva a prática de condutas delituosas. A esse respeito, o filósofo Cícero disserta de ser a impunidade a melhor forma de perpetuar a injustiça. Nessa ótica, adota-se na interweb, em não raros casos, um comportamento agressivo e odioso contra àqueles que expressam pensamentos e convicções diferentes, e nesse viés, elegem arbitrariamente o bode expiatório daquilo considerado como inapropriado pela sociedade. Nesses casos, o código penal pouco pode atuar, dada a omissa legislação acerca do assunto. Assim, vive-se em um momento de instabilidade e inseguranças, em que a qualquer momento, por um descuido, entre em campo o tribunal da internet para acentuar ainda mais um dos maiores males da humanidade a “Cultura da Impunidade”.

De outra parte, a dependência da web figura como outro desafio para o linchamento virtual. Nessa lógica, a assertividade do cientista Albert Einstein ainda continua válida: “Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade”. Por conseguinte, a internet, no contemporâneo, é a via preferida para demonstrar a rotina de seus usuário, pouco se faz longe das telas digitais. Logo, a subversão desse meio é um caminho natural, na medida em que se torna o centro da vida das pessoas, e sem resistência alguma fazem-na o que são incapazes de fazer na realidade. Dessa forma, o bombardeio massivo contra pensamentos e convicções opostos no coliseu da interweb é uma nociva tendência. Lê-se, pois, como grave, diante de tão nocivo panorama, o cativeiro digital.

Impende, portanto, apresentar caminhos para que o linchamento digital seja atenuado no Brasil. Para tanto, o Congresso Nacional - responsável por elaborar/aprovar leis, deverá criar um Código Nacional para a Internet, em que se aplique penalidades para as condutas ofensivas, a associação de grupos de “haters” e a subversão da liberdade de expressão, primando por manter uma das peças-chave de um Estado Democrático de Direito: a justiça, e desestimular essa prática tão nociva. Feito isso, em breve, o mundo digital evidenciado por Jobs se moverá positivamente, e a nação verde amarela vivenciará uma cultura de paz.