Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 22/10/2020

O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. No entanto, percebe-se a irresponsabilidade da sociedade no ambiente virtual, no que concerne à falta de letramento digital, ou seja, não há o uso crítico da tecnologia, consequentemente, há a formação de linchado e de linchadores. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, as quais possuem como causas não só a polarização ideológica, mas também a falta de regularização da conduta entre os internautas.

Em primeiro plano, é preciso atentar para as pessoas que temem ou odeiam aqueles que não enxergam como semelhantes. Nessa perspectiva, segundo o conceito de violência simbólica do sociólogo Pierre Bourdieu, aquele aborda uma forma de violência exercida pelo corpo sem coação física, causando danos morais e psicológicos. Seguindo esse raciocínio, as massas, presente nas redes sociais, aplicam na sociedade atual a repreensão popular, como forma de linchamento virtual, por meio do discurso de ódio e da justiça com as próprias mãos ao suposto transgressor que não compactua com os mesmos valores ou crenças. Tal comportamento prejudica a convivência na internet e a reputação do indivíduo linchado.

Outrossim, a atuação agressivas de algumas pessoas nas redes sociais ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Nesse sentido, segundo o filósofo Thomas Hobbes, o homem nasce mau, não sabe viver em sociedade e precisa de regras e de normas para a convivência social. Seguindo esse raciocínio, com a falta de regularização da conduta entre os internautas, há a contribuição para a disseminação da violência e de justiceiros, promovidos pela internet ao possibilitar a democratização da justiça e cada um atuar conforme melhor ser conveniente. Como resultado, a sentença é a violação da intimidade do indivíduo condenado, em que é prejudicado na vida privada.

Portanto, é relevante desenvolver ações, tanto políticas quanto sociais, que possam reverter essa realidade. Desse modo, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, juntamente com o Poder Judiciário, formalizar projetos de leis contra quem publicou e contra quem difundiu o linchamento. Tais projetos devem ser amplamente divulgados nas redes sociais, de modo a proporcionar uma maior visibilidade sobre o assunto, para que o público em geral possa ter acesso os detalhes da lei proposta e se posicionar, a fim de efetivar a elucidação sobre o tema. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe com mais empatia, pois, como descreveu o poeta Leminski: “Em mim, eu vejo o outro”.