Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 13/10/2020
Segundo dados de um relatório digital de 2019 feito pela “We are social”, 66% da população brasileira é usuária das redes sociais. Isso corresponde a 140 milhões de usuários ativos e o número está aumentando a cada dia. Com essa grande concentração de indivíduos interagindo no meio virtual, é inevitável que pessoas acabem discordando e reprovando atitudes de outros usuários online. Contudo, dependendo das dimensões, esses conflitos resultam em verdadeiros linchamentos virtuais, que se sustentam no uso indevido da liberdade de expressão, acompanhado da sensação de justiça feita por conta própria que os usuários que realizam esses linchamentos têm.
Em primeiro plano, é necessário analisar a distorção da liberdade de expressão usada para justificar os ataques. A liberdade de expressão é um direito do indivíduo e deve ser respeitada. No entanto, no contexto de linchamentos virtuais, esse direito está sendo usado como forma de justificar a propagação de ofensas, injúrias e ameaças nas redes sociais. A exemplo, o caso de ataques direcionados ao cantor Vitão, que devido polêmica envolvendo seu novo relacionamento, vem recebendo insultos e ameaças em suas redes sociais. Muitos desses comentários são justificados pelos seus autores como um simples uso da liberdade de expressão.
Em segundo plano, está o fato da sociedade tentar fazer justiça por conta própria sendo uma forma dela julgar a insatisfação com procedimentos oficiais de justiça. Com isso, os linchamentos podem acabar tomando proporções maiores devido essa busca por justiça, o que pode ter fins trágicos. Um exemplo disso é o caso de Fabiane Maria de Jesus, que em 2014, foi espancada até a morte por moradores, após ser confundida com um retrato falado da suposta sequestradora acusada de praticar magia negra e sequestrar crianças. Mais tarde foi descoberto que o retrato não tinha relação com o caso, e tudo não passou de um boato. Esse caso mostra as proporções que algo que começou no meio virtual pode tomar e o quão perigoso é quando a população tenta fazer justiça por conta própria.
Portanto, diante dos fatos supracitados, é necessário que medidas sejam tomada para combater o linchamento virtual. Para isso, é mestre que Ministério Público, em parceria com as delegacias de crimes cibernéticos, promova e dissemine campanhas no meio virtual, que conscientizem e alertem as pessoas sobre o perigo dos linchamentos virtuais para que pessoas como Fabiane não sofram injustamente. Além disso, é importante que as próprias mídias sociais, por meio de seus algorítimos, trabalhem da identificação de ofensas e ameaças nas redes sociais, punindo seus autores devidamente. Assim, com a realização das medidas citadas, será possível criar um ambiente virtual menos agressivo e livre dos linchamentos.