Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 13/10/2020

A internet proporcionou avanços significativos na indústria e no mercado de trabalho, garantindo o surgimento de tecnologias indispensáveis para a sociedade moderna, que se tornou mais conectada e globalizada, principalmente com o advento das redes sociais, que alteraram a forma como a sociedade se comunica, uma vez que o alcance que as redes sociais propiciam são quase infinitos. Além disso disso, a falsa sensação de anonimato nas redes sociais, acrescida do grande exagero da sociedade, que acaba por condenar pessoas e não ações, criam o chamado linchamento virtual, que embora não tenha o caráter físico da ação, pode gerar danos econômicos e psicológicos as vítimas.

É de conhecimento geral que a internet já é capaz de conectar qualquer pessoa que tenha um celular, seja o mais simples ou o mais caro, a qualquer outra pessoa no mundo. Essa facilidade em compartilhar pensamentos e opiniões é uma via de mão dupla, e esse é o propósito das redes sociais, entretanto isso pode se tornar um problema, a depender da pessoa que esteja utilizando essa via. É dai que surge os chamados linchamentos virtuais, quando pessoas levadas por um senso de moralidade quase hipócrita, que se espalha em grupos nas redes sociais, utilizam das redes para difamar, insultar e assediar moralmente pessoas que, de acordo com esses grupos, cometeram algum ato imoral.

De forma geral essas pessoas condenam e atacam, famosos ou anônimos, por frases ou ações de duplo sentido, ou em tom de brincadeira, que mesmo que estejam erradas, não justificam os ataques que podem, inclusive, causar perdas financeiras ou problemas psicológicos nas vítimas. Para o filósofo Jhon Locke o homem é uma tábua rasa, ou seja, ele não nasce bom ou ruim, ele é moldado pelo meio em que vive, essa ideia é corroborada por Nietzsche quando ele afirma que nada é objetivamente bom e tampouco ruim. Essa linha de pensamento afirma que o homem e formado pelo bem e pelo mau, uma frase no Twitter não define o caráter de uma pessoa, mas sim uma opinião, que quando errada, deve ser combatida, condenando a ideia e não a pessoa.

Os atos cometidos nos chamados linchamentos virtuais, de forma geral, costumam se encaixar como um crime contra a honra ou assédio, e portanto é dever do Estado garantir que esses casos sejam investigados e punidos, e em paralelo conscientizar a população que as leis também são aplicadas no mundo virtual a fim de inibir novas ocorrências desses casos. Por outro lado é importante reforça a estrutura estatal tanto no âmbito legislativo quando executivo, seja por meio da exigência de mais dados pessoais na criação de perfis em redes sociais ou por meio de uma melhor estrutura policial e uma maior qualificação dos investigadores, com o intuito de aumentar a taxa de investigações concluídas, que acabam por coibir, também, novos casos.