Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 15/10/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o linchamento virtual apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência do governo diante a situação, quanto da amplificação das ações de figuras públicas de modo exorbitante. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que o crescente número de mensagens de ódio deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, em interromper essas correntes que tomam proporções exacerbadas causando danos psicológicos e às vezes financeiros como perda do emprego e contratos por pressão popular. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a alta disseminação do fato como promotor do problema. De acordo com Philip Zimbardo. “Alguns tipos de transtornos podem gerar uma espécie de circuito de prazer compulsivo, onde o sujeito utiliza as redes sociais como forma de descarga de energia, que não teriam coragem de realizar no mundo real”. Partindo desse pressuposto, a alta exposição de perfis públicos coloca até pequenas ações sob uma percepção maniqueísta submetida a julgamentos impiedosos dos seguidores. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o anonimato e impunidade contribui para a perpetuação desse quadro.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a disseminação de ódio nas redes sociais, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio da mídia, será revertido em reduzie a propagação de comentários mal-intencionados, através do banimento da conta do usuário e vinculação de documentos de identificação que limitarão a quantidade de perfis anônimos. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do julgamento excessivo, e a sociedade alcançará a Utopia de More.