Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 19/10/2020
Desde fim de carreira até atos de sucicidio, à internet —se usada de maneira errônea— pode se tornar um local extremamente perigoso. À sensação de impunidade movida pela ilusão equivocada do significado de liberdade de expressão, somados à um falso senso de justiça, fazem com que muitos internautas sofram ataques online e não consigam exercer seus direitos consentidos pela constituição. É inegável que tal imprudência gera consequências graves que envolvem a maior parte da sociedade e precisa ser combatida antes que saiam do mundo virtual para o mundo “real”.
Em primeiro lugar, no Brasil, às leis que regem o ciberespaço são frequentemente deturpadas, uma vez que as pessoas se utilizam da liberdade de expressão —garantida na lei do marco civil da internet— para disseminar discursos de ódio através de calúnias , difamação e injúrias —ato que configura crime nos artigos 138,139 e 140 do código penal. Tal como o caso da blogueira Aline, que em 2019 se jogou de um prédio após sofrer uma série de ataques por ter se casado sozinha após ser largada no altar, concomitantemente seu ex-noivo também foi agredido virtualmente por tê-la abandonado.
Ademais, sabe-se que o avanço tecnológico e à globalização encurtaram distâncias e facilitaram a propagação de notícias mundialmente, porém infelizmente isso pode surtir efeitos contrários e gravíssimos quando se trata da rápida propagação das fake news. Por exemplo, o caso polêmico do youtuber Felipe Neto que, após um vídeo publicado no New York Times se posicionando contra o atual presidente Jair Bolsonaro, foi caluniosamente chamado de pedófilo e recebeu inúmeras ameaças contra sua vida, não só virtualmente, como também na porta de sua própria casa.
Por tanto, fica evidente que apesar dos benefícios que a internet possa proporcionar, é necessário colocar em prática uma política de proteção mais ágil e eficaz para proteger os internautas. Para isso, se faz necessário que o poder legislativo e executivo em conjunto com o Ministério da Educação (MEC), deve adicionar aulas de informática na grade escolar —com foco em alfabetização midiática— e ofertar cursos gratuitos aos adultos e idosos com intuito de ensiná-los a: produzir conteúdos saudáveis, desenvolver senso crítico, buscar fontes confiáveis e orientar sobre o uso dos seus direitos jurídicos online. À longo prazo, o debate consciente e benéfico se tornará coletivo.