Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 19/10/2020

O filósofo Martin Heidegger, na obra “Ser e Tempo”, aborda a ideia de que a tecnologia ameaça tirar do homem a sua capacidade de refletir sobre as coisas e transformá-lo em um ser que produz de maneira irrefletida. Paralelamente, o pensamento de Heidegger se equipara ao Brasil do século XXI, visto que as tecnologias de comunicação e informação se potencializam em um cenário irrefletido e deletério de linchamentos virtuais. Logo, a escassez de consciência coletiva e a fragilidade educacional compactuam-se para esse cenário nocivo.

A princípio, ao averiguar o imbróglio supracitado, depreende-se que a escassez de consciência coletiva corrobora sua ampliação. Nesse viés, para o filósofo Immanuel Kant, o comportamento moral dos indivíduos deve ser orientado a partir da universalidade das ações, ou seja, se tal ação for benéfica para todos. Entretanto, é primordial destacar que o excerto de Kant não é praticado entre parte da população brasileira, uma vez que alguns agem, de forma desrespeitosa, como árbitros no julgamento dos infratores, de modo a trata-los como pessoas sem vida social. Por conseguinte, a vinculação da normalização prejudicial da difamação cibernética fomenta danos psicológicos, como depressão e suicídio, aos sentenciados online.

Outrossim, é de suma relevância evidenciar a fragilidade educacional como propulsora do revés aludido. Nessa perspectiva, o educador Allan Kardec defende que a educação, quando bem compreendida, é a chave para o progresso moral. Todavia, é fundamental destacar que o exposto pelo pedagogo é tratado de maneira precária no Brasil, em que as políticas públicas para o letramento digital eficiente dos cidadãos são exíguas e pouco debatidas no meio nacional. Assim, tal omissão acarreta a criação de um corpo social que carece de criticidade e permeia o discurso de ódio, o que deprecia os direitos de honra e dignidade assegurados na Constituição Cidadã. Destarte, a perpetuação desse fator é maléfica.

Portanto, diante do referido, intervenções capazes de orientar os tupiniquins acerca do linchamento virtual são improrrogáveis. À vista disso, é dever do Congresso Nacional criar leis e incentivar agências de checagem, através da aplicação de multas em verbas para civis ao usarem de abordagens ofensivas contra outros, a fim de desenvolver discussões democráticas que ressaltem a dignidade humana e cobrem uma postura efetiva do judiciário. Ademais, o Ministério da Educação necessita gerar a implantação de projetos semanais em escolas, por meio de palestras que eduquem os jovens quanto o uso consciente das redes sociais e o respeito dos direitos humanos das vítimas, com efeito de distanciar o Brasil de “Ser e Tempo”.