Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 20/10/2020

O documentário “O Dilema das Redes”, da produtora americana Netflix, mostra as transformações sociais advindas do desenvolvimento tecnológico e da internet. De maneira análoga, no Brasil, nota-se as transformações ocorridas nas interações pela internet, como a crescente ocorrência de linchamentos virtuais e cyberbullying, nos quais os agressores, protegidos pelo anonimato e  motivados pela falta de empatia causam sérios danos ás vítimas.

Em primeira análise, cabe ressaltar que o anonimato permitido pelas redes sociais motivam os agressores e linchadores virtuais. Dessa maneira, apesar do Marco Civil da Internet, criado em 2014, estabeleça direitos e deveres para o uso da internet no Brasil, nota-se que a realidade das redes ainda é violenta. A exemplo disso, o caso da menina de 11 anos Júlia Gabriele, que sofreu diversas ofensas nas redes sociais por conta da estética. Nesse sentido, nota-se que o anonimato na internet gera a sensação de impunidade e impessoalidade, e ressalta os preconceitos já existentes na sociedade brasileira. Portanto, mesmo que haja no país uma legislação para os crimes virtuais, o linchamento ainda se faz muito comum, pois a sensação de impunidade causada pelo anonimato motiva os usuários a expressarem crueldades que não possivelmente não fariam na vida fora das redes, seja por medo da lei ou por vergonha.

Ademais, a falta de empatia presente na sociedade atual é um dos motores das agressões na internet. Desse modo, segundo o filósofo Zigmunt Bauman, a sociedade atual é marcada pelo individualismo e pela falta de cuidado com o outro. Sendo assim, a internet tornou-se o lugar ideal para o indivíduo moderno, haja vista que as interações virtuais são rápidas e rasas e evitam conexões profundas com os outros usuários. Dessa forma, a falta de empatia recorrente na sociedade se reflete nas redes, no qual os usuários perdem a noção de que a vítima também é um ser humano dotado de emoções, o que vai de encontro com a frase do cientista Albert Einstein: “Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade.” Assim, como demostra o documentário supracitado, as relações sociais transformaram-se com o advento da internet, entretanto, a forma como os indivíduos interagem nas redes reflete algo intrínseco da sociedade, a falta de empatia e compaixão.

Em suma, cabe as Delegacias de Repressão aos Crimes Informáticos criarem campanhas que incentivem as vítimas a denunciarem os crimes e as agressões, por meio da divulgação de informações e auxílio as vítimas, para assim acabar com a sensação de impunidade gerada pelo anonimato das redes sociais. Além disso, cabe a sociedade brasileira e os internautas se conscientizarem e usarem as redes de maenira saudável e empática.