Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 22/10/2020

Em Julho de 2019, a jovem blogueira Alinne Araújo cometeu suicídio após decidir se casar sozinha e, por conta disso, foi alvo de críticas depravadoras pelos internautas. Assim, inúmeras pessoas, no Brasil, passam pela mesma situação, sendo a sociedade, no mundo virtual, responsável por fazer “justiça com as próprias mãos” em relação aos erros humanos. Nesse sentido, vê-se que a ausência de conhecimento sobre os limites da liberdade de expressão e a frágil educação, advinda principalmente da escola, são motivos para a ocorrência dos linchamentos virtuais.

Nesse contexto, a série Black Mirror aborda, em um de seus episódios, os problemas vivenciados por pessoas que comentem grandes erros, nas redes sociais, quando é criado um grupo popular para o debate de quem deverá morrer. Dessa forma, a cultura do cancelamento evolui e muitos usuários morrem por terem feito qualquer atitude errônea na internet. Ainda assim, em nenhum momento não é notório a compreensão da ultrapassagem do fim da liberdade e o início da agressão verbal, física e moral, pois o mundo virtual é tratado ainda de forma diferenciada do real.

Além disso, instituições educativas se tornaram os pilares de tais ocorrências, uma vez que essas não estão mais interessadas em promover o conhecimento autónomo e crítico do indivíduo, mas sim em transformar cidadãos alienados ao sistema capitalista como dizia o sociólogo Theodor Adorno. Nesse âmbito, é encontrando o contemporâneo “Efeito manada” que é a tendência do ser humano de repetir ações de outras pessoas, tornando-se uma característica típica desses atos violentos da internet. Sendo assim, sem a ajuda das escolas, por exemplo, essas práticas se agravarão.

Dado o exposto, para a melhora da situação a respeito dos linchamentos virtuais, deve-se haver uma parceria entre Ministério da Educação (MEC) e as principais empresas que comandam as maiores redes sociais do país para estabelecer a reforma de políticas de segurança na internet. Sendo assim, deverá ser criado uma vigilância do que está havendo no meio virtual no cotidiano dos brasileiros afim de que haja a diminuição dos casos de ofensas e violências éticas e morais. Em complemento a isso, o MEC terá que realizar aulas extracurriculares que abordem como agir em situações como essas, de forma legal, para que não ocorra mais mortes como a da jovem Alinne.