Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 24/10/2020
Desde o surgimento da Internet, as conexões entre pessoas e informações tornaram-se mais rápidas e globalizadas. Entretanto, essa mesma ferramenta pode ser utilizada de forma negativa, tal como para a propagação de linchamentos virtuais. Desse modo, é necessário compreender que isso é fruto inegável de uma busca pela sociedade perfeita. Nesse sentido, entre os princípios que sustentam essa realidade, pode-se mencionar a padronização de comportamentos, bem como o imediatismo.
Convém ressaltar, a princípio que a padronização de comportamentos compactua com a persistência da cultura do cancelamento nas redes sociais. Essa situação ocorre em decorrência do fenômeno chamado de “bolha social”, no qual os indivíduos se agrupam de acordo com vontades, pensamentos e atitudes parecidas, além de tentar criar versões de si mesmos. Consequentemente, torna-se fácil à propagação de ódio, visto que tal circunstância implica na exposição do posicionamento tirânico ao que é diferente na internet, o qual se espalha velozmente pela rede de pessoas que se apropriam da ideia e somam o contexto. Um exemplo disso é o caso da empresa Natura, que foi invalidada no Twitter após apresentar a campanha do dia dos pais com a Thammy Miranda, um homem trans.
Outrossim, é imprescindível destacar que o imediatismo é um dos maiores problemas da modernidade, principalmente, no que tange aos linchamentos virtuais. Isso porque há uma necessidade enraizada no corpo social, de se posicionar precoce aos fatos para ganhar visibilidade o mais rápido possível. Contudo, esse ato pode vir acompanhado de exibições superficiais - sem comprovações-, bem como pela busca efêmera da vingança com as próprias mãos, o que pode acarretar em injustiças, prejuízos emocionais e físicos ao agredido moralmente. Ilustração ficcional dessa realidade é o filme Aos Teus Olhos, no qual um professor de natação, Rubens, se vê acusado pelos pais de dar um beijo na boca em uma das crianças e tem sua vida modificada após o desabafo impreciso da mãe na mídia social.
Logo, é evidente a necessidade de mudanças. Portanto, cabe aos proprietários de ferramentas digitais, tal como Facebook, Twitter, Instagram e Whatsapp, criarem um algoritmo capaz de retirar publicações que contenham discurso de ódio do ar, instantaneamente, e comunicar o banco de dados da polícia local, para que seja solucionado judicialmente, com o objetivo de diminuir a globalização de notícias desse cunho. Além disso, é imperativo que as escolas promovam campanhas mensais de conscientização acerca da padronização de comportamentos e suas consequências no universo digital, através de palestras dirigidas por psicólogas, com o fito de combater a intolerância e integrar todos em um mesmo meio, a fim de erradicar -desde os primórdios- o fenômeno de bolha social. Assim, será possível mitigar a efemeridade tecnológica do cancelamento e suas sequelas na sociedade.