Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 24/10/2020

Tribunal Virtual

No período da Inquisição Católica era algo frequente incitar a população contra grupos considerados perigosos, como judeus, alquimistas e ciganos, que seriam condenados à morte na fogueira. Atualmente discursos e práticas que incitam à justiça popular e ao linchamento público ainda estão presentes na sociedade contemporânea, porém através de meios virtuais capazes de obter informações da pessoa acusada por um ato questionável. Assim as mídias sociais se tornam tribunais onde os demais internautas tomam para si o poder de julgamento, além de não resolverem o problema da falta de respeito das atitudes condenadas de maneira plena.

O processo de expansão tecnológica da computação e das redes sociais ocasionou métodos para o anonimato de diversos internautas, como consequência é possível qualquer indivíduo criticar e julgar os demais sem a preocupação de ser identificado, por isso o linchamento virtual torná-se mais incentivado. Pelo anonimato facilitar a realização de perseguições e acusações, além de que alguns internautas obtém informações pessoais do acusado, é possível expandir as ameaças para o mundo físico.

Muitos casos de linchamento no mundo virtual e no material geram consequências psicológicas graves, tais como depressão e síndrome do pânico, ao acusado. Assim os internautas não conseguem resolver efetivamente a falta de respeito presente em um ato questionável, porém o problema é agravado tendo em vista que os linchadores estão fazendo perseguições que também envolvem a falta de empatia com o próximo.

Tendo em vista que o julgamento virtual não possui respaldo jurídico que esteja de acordo com os Direitos Humanos, a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), órgão responsável pela infraestrutura dos meios de comunicação, poderia coordenar projetos para a identificação de perfis anônimos juntamente com as mídias sociais e agências fiscalizadoras com a intenção de iniciarem um julgamento legal dos linchadores e do acusado sem ferir os direitos de ambos os lados.