Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 27/10/2020
A Primavera Árabe - revoluções de cunho popular, ocorridas no Oriente Médio e Norte da África, em 2010 - é um exemplo plausível de como o meio virtual pode amplificar as ações humanas, visto que, com o auxílio das redes sociais essas manifestações foram divulgadas para um maior número de pessoas. Entretanto, do mesmo jeito que essa amplificação de ideais e informações pode ser algo benéfico, ela pode trazer, também, ações desproporcionais a uma realidade, como é o caso do linchamento virtual. Nesse contexto, percebe-se um problema alicerçado na coerção irracional das pessoas nessas redes e na falta de conhecimento acerca dessas mazelas.
Em primeira análise, o aumento da integração de pessoas advindas dessas novas tecnologias de comunicação, como as redes sociais, facilitam a denúncia de atitudes que podem desrespeitar os direitos humanos, por exemplo, mas de uma maneira desproporcional a qualquer julgamento dentro dos limites da legalidade. Em destaque aos fatos sociais de Durkheim, o qual defende que o comportamento de um indivíduo é influenciado pelo meio onde este está inserido, o espaço virtual transformando-se em um grande espaço de linchamentos virtuais, converge com a premissa do sociólogo, visto que, os linchamentos ou comportamento de um grande número de pessoas influencia outros indivíduos que frequentam esse meio. Logo, determinada ação, em grandes proporções, pode induzir a formação de opiniões desproporcionais à realidade.
Além disso, a falta de conhecimento da gravidade de uma opinião, no meio virtual, agregada à inúmeras outras, pode causar diversos danos, como a depressão, uma vez que, esses linchamentos não visam a correção do indivíduo, mas a sua punição. Em analogia ao pensamento de Heráclito: “tudo flui, nada permanece”, as milhares de pessoas que lincham determinado indivíduo, ignoram a dinamicidade das ações humanas, abordada pelo filósofo, e agregaram o valor punitivo em uma determinada publicação, por exemplo. Logo, o linchamento virtual contribui para destruição de uma vida, em detrimento de uma correção mais tolerável, introdutória a uma evolução comportamental, a qual contribua para a não permanência do ato motivo de linchamento na sociedade.
Torna-se claro, portanto, a relevância de ações corretivas ao impasse em questão. Nessa lógica, faz-se necessária a intervenção do Estado, a partir do investimento em palestras nos meios propulsores do linchamento virtual, bem como uma repreensão mais humanizada de um ato que não respeite os direitos individuais de determinada comunidade, por exemplo. Isso, consequentemente, introduziria o impacto que um opinião pode causar e a evolução de comportamento social. Assim, o problema será resolvido e o linchamento virtual não se alicerçará na sociedade atual.