Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 26/10/2020
Desde a sua invenção, nos anos 60, a internet tem trazido uma série de mudanças na forma com a qual os indivíduos se relacionam, por meio da rapidez nas trocas de informação. Porém, se por um lado ela possibilitou uma aproximação em níveis globais, por outro fez com que os linchamentos ganhassem também proporções maiores que reverberam para fora das telas, consequentemente prejudicando a vida pessoal e a integridade física de suas vítimas.
Sob esse viés, cumpre mencionar que a falta de legislação é um fator determinante para que as agressões verbais persistam. Segundo Umberto Eco, “Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável”. Dessa forma, percebe-se uma brecha causada pela falta de legislação adequada. Assim, sem que haja uma base legal, qualquer ação no sentido de sanar o problema é impossibilitada, o que faz com que o problema do ódio disseminado virtualmente se perpetue.
Além disso, é necessário pontuar que essa prática possui consequências gravíssimas à saúde mental e física daqueles que são vitimizados por ela. Um exemplo disso é o ex-deputado federal Jean Willys, que teve de se exilar em outro país com medo das diversas ameaças de morte que recebeu por meio da internet, isso evidencia ainda mais até que ponto os linchamentos virtuais podem chegar.
Sendo assim, torna-se clara a necessidade de medidas que atuem diretamente sobre o problema. Inicialmente, é necessário que haja a criação de projetos de lei que contemplem a problemática das agressões virtuais, pelas comissões da Câmara e do Senado. Também é preciso que o Ministério da Saúde realize ações que visem acolher as vítimas dos linchamentos. Esta deve se dar por meio de acompanhamento de um profissional especializado em tratamento pós-traumático. Dessa forma, o Brasil poderá usufruir com plenitude os benefícios que a internet possui.