Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 27/10/2020

Desde o “Século das luzes”, ocorrido durante o século XVIII, na Europa Ocidental, teóricos da época pregavam que uma sociedade só progride quando seus cidadãos se mobilizam com o intuito de solucionar conflitos do corpo social. Não obstante, verifica-se que o estorvo resultante do linchamento virtual apresenta-se de maneira oposta aos ideais iluministas, uma vez que estes prezavam pelo desenvolvimento social tendo como pilar o bem-estar da coletividade. Dessarte, esta realidade se deve, essencialmente, à negligência estatal e à propagação de “fake news” como propulsora do imbróglio.

Em primeiro plano, a Carta Magna de 1988, concebida por meio do processo de redemocratização, prevê, como garantias fundamentais, o combate às violações das diretrizes da comunidade, bem como seus impactos à saúde mental das vítimas de linchamentos virtuais. Todavia, o próprio Poder Estatal, pela escassez de políticas públicas, fere a legislação. Nesse sentido, o Ministério da Justiça não promove a punição para aqueles que agridem o direito individual e a moralidade, independentemente de tais violações serem cometidas no ambiente virtual que, por muitas vezes, é considerada uma “terra sem lei”. Desse modo, faz-se mister que ocorra uma reformulação dessa postura estatal.

Cabe mencionar, em segundo plano, que a problemática encontra terra fértil na proliferação de “fake news”. O filme “Rede de ódio” ilustra bem o óbice em questão. Consoante a isso, o protagonista de tais violações, com o objetivo de que sua empresa ganhe popularidade no mercado derrubando a concorrente, propaga inúmeras notícias falsas na internet, além de criar diversos perfis para emplacar um linchamento virtual e se sobressair diante de tal situação, causando diversos impactos negativos à empresa adversária. Nesse sentido, o filme pode ser relacionado ao Brasil do século XXI, de modo que as pessoas acabam comprando ideias e prejudicando outros indivíduos sem mesmo saber se o fato procede. Tendo isso em vista, percebe-se que a mídia retrata uma das causas abordadas.

Isto posto, é inegável a necessidade de intervenção no que tange à problemática. Para tanto, o Governo Federal, aliado ao Ministério da Cidadania, por meio de verbas governamentais, deve levar palestras pelo Brasil, alertando acerca dos impactos do linchamento virtual para a saúde mental da vítima e o quão prejudicial são esses movimentos para o bem-estar do corpo social, de modo que ocorra uma massificação do termo na sociedade, por intermédio de propagandas sobre o tema. Ademais, a mídia como um todo deve promover, em níveis mundiais, palestras educacionais por meio do ambiente virtual, as quais deverão ocorrer gratuitamente com profissionais capacitados, tendo como finalidade diminuir o número de casos e proporcionar uma consciência coletiva.