Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 27/10/2020

A série britânica “Black Mirror”, retrata realidades distópicas futurísticas onde a tecnologia assume grande influência. Em um de seus episódios, pessoas começam a morrer de forma misteriosa após serem vítimas de linchamentos virtuais e terem seus nomes vinculados a ‘’#DeathTo’’ (‘’morte para’’, em tradução literal). Não distante da ficção, vem se tornando comuns notícias e relatos acerca de grupos em mídias sociais que promovem ataques no meio virtual e real. Assim, se faz necessário o debate quanto à propagação dos discursos de ódio nas redes sociais.

É primordial ressaltar que há grande influência da tecnologia atualmente. Os algoritmos das redes sociais atuam oferecendo aos usuários conteúdos selecionados, ou seja, possibilitando a reunião de indivíduos com opiniões semelhantes. Desse modo, quando uma postagem aborda alheia atitude que vá de encontro ao ponto de vista desse grupo, o linchamento virtual sob a ideia de ativismos, ocorre. No entanto, em majoritárias vezes, tais ações abordam a vítima com uma linguagem agressiva e impiedosa. De acordo com Max Weber, a sociedade pode ser compreendida a partir do conjunto das ações individuais, sendo estas tudo que o indivíduo faz, orientando-se pela ação de outros. Dessa forma, as redes sociais se tornam veículos para o impulso dos linchamentos virtuais.

Ademais, surge à cultura do cancelamento, que dificulta o diálogo e impossibilita uma mudança de atitude. A cientista social Rosana Pinheiro afirma que “cancelar é sempre negativo. O problema não é a crítica, mas sim é quando isso escorrega para uma negação do sujeito, do que a pessoa tem a dizer e do que faz”. Nessa lógica, a cultura do cancelamento, certamente, não abre espaço para uma troca de opiniões, pois, ao julgar as ações do próximo não há consideração pela sua defesa, apenas uma busca desenfreada por “fazer justiça”, que gera indivíduos intolerantes, e com uma represália desmedida, que cancela não só a fala do julgado, como também seu trabalho e sua vida em geral. Desse modo, é necessário que haja uma maior compreensão pela sociedade dos impactos negativos dessa cultura.        Infere-se, portanto, que o linchamento virtual é um fenômeno negativo e deve ser combatido. Nessa perspectiva, é imperiosa uma ação do MEC, que deve por meio de palestras e rodas de conversa, com psicólogos e pedagogos, discutir os pontos negativos dos discursos de ódio e debater com os alunos as formas de alcançar uma sociedade mais tolerante, com o objetivo de que os cidadãos consigam ter mais respeito pelas opiniões divergentes. Ademais, cabe à mídia, com seu potencial influenciador, criar campanhas que abordem as consequências da cultura do cancelamento, a fim de que os a sociedade compreenda que ela é desnecessária, e que a mudança deve partir do diálogo. Assim, situações análogas à série “Black Mirror” serão, por fim, mitigadas.