Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 27/10/2020
O “Me Too” foi um movimento contra o assédio e a agressão sexuais, surgido em 2017, no qual expôs vários nomes que teriam cometido crimes em Hollywood. A finalidade dessa exposição era promover um repúdio às personalidades e buscar justiça. Contudo, houve uma subversão do sentido original dos cancelamentos, que passaram a motivar discursos de ódio e linchamentos virtuais, movidos pela intolerância e pela necessidade de fama e glória.
Convém salientar, primeiramente, a mudança do sentido original dos atos de cancelamento. Esses, nasceram com uma finalidade nobre, mas passaram a induzir manifestações de ódio na internet, ou seja, as pessoas pararam de buscar justiça e passaram a usar como uma forma de linchamento virtual, voltado a qualquer um com opiniões e posicionamentos diferentes, com extrema intolerância. Em 2019, o dicionário australiano Macquarie elegeu “cultura do cancelamento’’ como o termo do ano, evidenciando a expansão do tópico na sociedade. Ressalta-se que os linchamentos fragilizam a dignidade humana, na medida em que ofende o outro e ultrapassa os limites da liberdade de expressão, e expõe a perda de valores do caráter, como o respeito e tolerância ao próximo.
Outrossim, destaca-se a necessidade de fama e de glória pelos indivíduos. O álbum “Da Lama ao Caos”, do artista Chico Siena, denuncia como o orgulho e a ambição impulsionam as pessoas, e isso gera o caos. Nesse sentido, e no contexto da internet, os usuários buscam a glória a partir dos “likes” e o engajamento ofensivo, disfarçado de cancelamento. Com isso, o propósito de exposição de temas para que haja liberdade de comunicação social, tornou-se uma ferramenta de autocensura, competitividade de um meio de mostrar superioridade moral por meio das falhas alheias.
Diante dos fatos supracitados, é imprescindível que medidas seja tomadas a fim de limitar os linchamentos virtuais, motivados pela intolerância e busca pela fama. Para isso, é necessário um cuidado elaborado em relação aos crimes de discurso de ódio na internet, atualizando a legislação e orientando o Poder Judiciário, de modo que as decisões sejam tomadas de acordo com a lei na íntegra, desprendendo-se das jurisprudências federais. Dessa forma, os direitos de todos os usuários serão garantidos.