Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 30/10/2020
O surgimento do linchamento não foi nas redes sociais, e sim na televisão por meio do reality show. Esses programas deram o poder aos telespectadores de julgar e punir quem não os agradava, exemplo disso é o Big Brother Brasil. Com isso, as redes sociais viraram basicamente reality shows, onde agressores julgam e ofendem pessoas que nem conhecem. Assim sendo, os motivos para a ocorrência de tais atos é explicada pela intolerância e impunidade virtual.
Convém analisar, de início, que as pessoas possuem certa intolerância ao que é incomum, e como forma de eliminar o diferente, se sentirem no direito de violentar quem errou como forma de punição. Por consequência, o cancelamento gera danos para as vítimas, como demissões, traumas emocionais profundos e suicídio. Um exemplo disso ocorreu em julho de 2019 com a influenciadora digital Alinne Araújo, que tinha sido deixada pelo noivo um dia antes do casamento, no entanto, ela resolveu casar com ela mesma. Sendo assim, acusada de querer chamar atenção e recebeu milhares de críticas na internet, por fim, Alinne pulou do nono andar do prédio que morava no Rio de Janeiro.
Além disso, outro fator que pode contribuir é o não letramento digital. Nessa perspectiva, pode-se afirmar que muitas pessoas possuem senso crítico limitado. Essa limitação faz com que eles não consigam diferir quais notícias são verdadeiras ou falsas, dessa forma, uma pessoa pode ser agredida inocentemente. Para exemplificar, em 2014, foi publicado no Facebook, um retrato falado de uma mulher que supostamente sequestrava crianças, mas a polícia informou que não havia nenhuma denúncia de sequestro registrada. Contudo, Fabiane Maria de Jesus, dona de casa que morava no Guarujá, foi confundida com a mulher do retrato, ela foi morta e arrastada por uma multidão.
Logo, cabe a Mídia, conscientizar e educar seus usuários por meio da divulgação de notícias e pela contratação de profissionais. Tais iniciativas teriam como objetivo orientar a população a melhor forma de se comportar na internet. Ademais, cabem as plataformas digitais juntamente com os usufruidores das tais, fiscalizar as informações nelas veiculadas, por meio da realização de pesquisas em sites confiáveis ou enciclopédias. Essa verificação de fatos é necessária para que não haja equívocos, como o caso de Fabiane.