Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 30/10/2020

Comparar a internet a um tribunal é uma analogia cada vez mais utilizada como faz o artista Tom Zé em “Tribunal do Feicebuqui”. Isso se dá porque é cada vez mais evidente as relações de vigilância mútua e do senso de justiça, muitas vezes equívoco e desproporcional, das pessoas existentes nas redes sociais. Esse sentido “justiceiro” muitas vezes escolhe alvos diferentes todos os dias para um ataque massivo. O linchamento virtual, como resultado disso, pode acarretar graves consequências tanto para as vítimas quanto para os responsáveis.

A princípio, os linchamentos virtuais podem ser considerados forma de humilhação pública, prática muito antiga. Desde os primeiros séculos já eram efetuados apedrejamentos. Pode-se presumir que, muitas vezes, a realização da humilhação pública é uma forma de justiça do grupo perante a ineficácia do poder judiciário, o que justifica grande parte das reações virtuais serem contra posturas anti éticas. Porém a ridicularização de apenas uma pessoa não é capaz de resolver o problema completamente, assim como decente Theodore Roosevelt, estadista, educar normalmente os indivíduos é o que elimina as ameaças da sociedade.

Por mais que os ataques “justiceiros” tenham, inicialmente, uma boa intenção, grande parte deles se torna um discurso de ódio, ofensa ou ameaça. Assim sendo, muitos dos comentários odiosos podem levar ao crime com acusações como dano moral, injúria, calúnia, ameaça, entre outros. Ou seja, além de punições legais para o responsável, a vítima também tem grande risco de sofrer danos psicológicos, como surgimento ou agravamento de distúrbios, exclusão e a “eternização do erro”.

Diante dessa problemática, evidencia-se que o governo precisa providenciar uma melhor educação virtual para os usuários da internet para evitar ofensas que desrespeitosas e também ter medidas mais rigorosas de denúncia de postagens que podem ter conteúdo preconceituoso para que essas pessoas sejam punidas de maneira certa. Isso pode se dar por meio da elaboração de políticas e termos de uso e plataformas mais eficientes de queixa contra más condutas.