Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 29/10/2020
A criação da internet trouxe um novo espaço de compartilhamento de opiniões e informações para a sociedade. Nesse contexto, algumas pessoas se aproveitam desse novo espaço e disseminam pela internet opiniões racistas, preconceituosas e machistas, aproveitando de uma falsa sensação de impunidade. Dessa forma, a internet possibilita que as pessoas expressem suas opiniões preconceituosas mais livremente, distanciando de uma real responsabilidade do que foi feito.
Observa-se, desde o “surgimento” do homem como ser sociável, que a aversão e o desrespeito às concepções dissemelhantes são uma das principais causas dos conflitos sociais existentes. Isso porque, grande parte dos seres humanos, ainda, não encontra-se apto a conviver em sociedades complexas nas quais os direitos alheios são respeitados, sejam eles referentes à política, a religião, a diversidade sexual e cultural. Nesse sentido, a divergência de ideologias, nos dias de hoje, com o advento da internet, agravou o quadro no qual a “democratização” do preconceito é confundida, muitas vezes, com a liberdade de expressão, tornando os discursos de ódio um grande problema da sociedade moderna.
Além disso, outro fator preponderante para a intensificação da intolerância, nas redes sociais, é a carência da especificidade de leis sobre as quais versem a punibilidade de crimes virtuais, dentre esses o discurso de ódio. Aliado a esse fato, existe a ideia, principalmente entre os menos informados, de que a internet é “terra de ninguém”, um meio no qual pode ser veiculado qualquer tipo de informação e comentário, sem que haja maiores consequências. Como resultado direto dessas ações, uma grande parte das vítimas desses ataques acabam entrando em depressão podendo, em alguns casos, chegar ao agravamento do grande mal secular, o suicídio.
Tendo em vista que a internet é hoje um grande espaço público de interação social, é necessário que a família conscientize os filhos, por meio da autoridade dos pais, a utilizarem desse espaço de maneira que não agrida o próximo para que as novas gerações tenham uma maior consciência social em relação ao meio social. Ainda por parte da família, é preciso que ela acompanhe a utilização da internet por parte do filho de modo a supervisionar que ele não seja praticante ou vítima de crimes de ódio. Além disso, é importante que o Estado invista em seguração digital, investigações e palestras, por meio do Ministério Público e o Ministério da Educação, de forma a coibir e penalizar crimes de ódio na internet e conscientizar os jovens a respeito da necessidade de respeito ao próximo. Assim, a violação dos direitos fundamentais do indivíduo, como o direito à honra, será gradativamente diminuído na internet.