Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 29/10/2020

Em maio de 2014, Fabiane Maria de Jesus, uma dona de casa, foi assassinada no Guarujá após ser acusada de praticar magia negra e sequestrar crianças. O boato se iniciou na internet, junto a relatos falsos de testemunhas e, assim, o linchamento virtual transformou-se em violência física. Embora esse não seja um caso recente, o linchamento virtual ainda é um problema pertinente na sociedade brasileira, sustentando-se na liberdade de expressão e na segurança relativa que se tem os usuários das redes sociais.

Em primeira análise, a liberdade de expressão como direito do indivíduo é, por vezes, utilizada erroneamente como arma nas redes sociais. Assim como alegou o filósofo inglês Herbert Spencer, a liberdade de cada indivíduo termina onde começa a liberdade do outro, no entanto, muitos não possuem essa mentalidade e abusam do seu poder de expressão, expondo, dessa forma, outras pessoas à situações incômodas, ofensivas e, até mesmo, ameaçadoras.

Em segunda instância, a psicóloga Juliana Cunha, diretora da ONG soteropolitana SaferNet Brasil, que atua no combate aos crimes cibernéticos no país, defende que a relativa segurança que os usuários das redes sociais possuem, por não estar “frente a frente” com outros indivíduos, contribui para o crescimento de sua hostilidade. A psicóloga alega que as relações face a face nos dão um aspecto importante para a vergonha, que é a questão do olhar do outro; o olhar é uma fonte de censura que agiria como um tipo de limite para essas situações.

Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas que atenuem esse impasse. Dessa forma, faz-se necessária a utilização dos próprios meios midiáticos, como anúncios e post’s, pelas delegacias de cibercrimes, para informar e ajudar as vítimas nas denúncias. Outrossim, a efetivação do artigo 140 do código penal que condena a injúria na internet, pelo poder executivo, auxiliará, fazendo com que a internet seja utilizada apenas como um instrumento agradável aos usuários.