Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 02/11/2020
A partir da Revolução Técnico-Científico-Informacional, diversos povos passaram por profundas transformações, não só econômicas como, principalmente, sociais. Embora a sociedade atual apresente contornos específicos, ainda é possível visualizar o legado presente nos linchamentos virtuais. Dessa forma, observa-se que os atos e a gravidade desse comportamento refletem um cenário desafiador, seja em virtude da falta de consciência social, seja pela negligência legislativa em promover um ciberespaço de convivência civilizado.
Em primeiro plano, nota-se que a falta de consciência social é uma das razões para a persistência de insultos no ciberespaço . Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a questão dos linchamentos virtuais, evidenciada pelo aumento de discursos de ódio propagados nas redes sociais, como nas eleições presidenciais ocorridas no Brasil em 2018, em que apoiadores de determinado candidato usavam dos meios digitais para ‘‘atacar’’ seus alvos com mensagens ofensivas, com o objetivo de causar danos morais às vítimas. Assim, trazer a pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.
Vale ressaltar, também, que a crescente violência psicológica no ambiente virtual demonstra a negligência legislativa em promover leis que coíbam a difusão do ódio on-line. A constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. Contudo, essa constituição não tem sido suficiente no que se refere à questão dos linchamentos virtuais, uma vez que a gravidade desse problema continua atuando fortemente no realidade atual e prejudicando a vida de inúmeras pessoas. Assim, a lei sendo enfraquecida, dificulta-se a resolução desse impasse.
Torna-se imperativo, então, desenvolver medidas que ajam sobre a problemática. Para esse fim é preciso que o Ministério da Justiça, por intermédio de deputados, senadores e comissões da Câmara, coloquem em votação projetos de leis mais rígidos no combate aos linchamentos virtual, como multas e punições para quem realiza ou incentivem tais ações, com o objetivo de proteger as vítimas de ações violentas na internet e fora dela. Tais campanhas devem refletir, com efeito, em uma maior civilidade e respeito nas mídias sociais. Em suma, é preciso que se aja sobre o empecilho, pois, como defendeu Simone de Bevouir:‘‘Cada um de nós é responsável por tudo e por todos os seres humanos.’’
O documentário “O dilema das redes”, exibido pela plataforma de streaming ‘‘Netflix’’, relata