Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 29/10/2020

“Black Mirror” é uma série britânica centrada em temas obscuros e satíricos que examinam a sociedade moderna, particularmente a respeito das consequências imprevistas das novas tecnologias. Em um de seus episódios, uma mulher posta nas redes sociais uma foto em que simula estar urinando em um monumento de guerra. As coincidências terminam por aí, mas as marcas do ódio virtual podem ter tanta força. Consequentemente ,o linchamento virtual cresce, isso pode ser ocasionada pela influência das mídias sociais que promovem ataques no meio virtual e real e a intolerância, das bases para o ataque de grupos organizados.

Primeiramente, necessário reconhecer a influência das ferramentas socias. Uma vez que, sua presença se tornou um ponto básico na vida de muitos indivíduos para fornecer um ambiente que favorece a comunicação e a entrada em qualquer tipo de conteúdo, levando a criar uma “espécie” de si mesmo no mundo visual. Este evento pode ser associado às relações do indivíduo com a aceitação da sociedade, podendo seguir o conceito de Max Weber, na qual afirma que a sociedade pode ser compreendida a partir do conjunto das ações individuais, conduzida pela ação dos outros. Dessa forma, evidencia-se que o meio virtual como modo de socialização e influência.

Segundamente, a intolerância é uma das bases para o ataque de grupos organizados e genericamente definidos como haters. Todos estão sujeitos aos seus ataques, especialmente se defenderem alguma causa considerada polêmica. É o caso de ativistas feministas e militantes políticos, ou defensores de pautas como a legalização das drogas ou do aborto. Para Macedo, “a ideia deles seria preservar alguns valores socialmente construídos, tidos como certos. Nessa lógica, deve-se ‘destruir’ o que pensa diferente, que seja uma ameaça aos bons costumes”.

Portanto, as escolas, em parceria com as famílias, devem inserir a discussão sobre o linchamento virtual tanto no ambiente doméstico quanto no estudantil, por meio de palestras, com a participação de psicólogos e especialistas, que debatam acerca de como agir “online”, com o objetivo de desenvolver, desde a infância, a capacidade de utilizar a tecnologia ao seu favor e identificar e cessar a reprodução desses discursos impedindo sua legitimidade social.