Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 29/10/2020
O ator Bruno Gagliasso e a atriz Giovanna Ewbank adotaram a uma criança africana chamada Titi, mas recentemente eles foram alvos de criticas através da internet. Esse caso gerou uma grande repercussão no Brasil inteiro, que os pais foram até a policia prestar queixa contra ataques racistas nas redes sociais direcionados à filha. Infelizmente, casos como esse vem se tornando cada vez mais comum nos meios virtuais e deixando cada vez mais vitimas. Por isso,se faz necessário o debate quanto a propagação dos discursos de ódio nas redes sociais.
Primeiramente,se faz necessário reconhecer a influência dessas ferramentas.Uma vez que,sua presença se tornou um ponto vital na vida de muitos indivíduos por fornecer um ambiente que favorece a divulgação e o acesso a qualquer tipo de conteúdo,levando os mesmos a criar uma espécie de ‘’versão’’ de si mesmo no mundo virtual.Tal fenômeno pode ser associado às relações do indivíduo com aceitação para com a sociedade,seguindo o conceito de Weber o qual afirma que a sociedade pode ser compreendida a partir do conjunto das ações individuais, sendo estas tudo que o indivíduo faz, orientando-se pela ação de outros.Dessa forma,evidenciando o meio virtual como mecanismo de socialização e influição.
Alem disso,é necessário discutir o papel de mídias sociais alternativas que propiciam a divulgação de conteúdo de execração.No ínicio dos anos 2000,devido a acessibilidade a internet surgiram novos recursos como Fóruns e Chan’s(contração do termo Chat Anônimo),tomando notoriedade o fórum ‘’Reddit’’ e o ‘’Dogolachan’’ que por sua vez, foi responsável por promover ataques tanto no meio virtual,como o linchamento de figuras públicas,quanto de forma física ao constatado o envolvimento de seus usuários na execução e estímulo ao massacre de Suzano,inspirados por massacres anteriores e ideias neonazistas,constatando os conceitos de Weber.
Portanto, os discursos de ódio possuem íntima relação com as redes sociais,que servem aos mesmo como hospedeiros e propulsores.Desse modo,se torna imperiosa uma ação do Congresso Nacional que deve formular leis e limites mais duros quanto a divulgação e hospedagem de sites que perpetuem o discurso de ódio a fim de cessar sua propagação e atuação.Ademais,as escolas,em parceria com as famílias, devem inserir a discussão sobre esse tema tanto no ambiente doméstico quanto no estudantil, por intermédio de palestrantes, com a participação de psicólogos e especialistas, que debatam acerca de como agir “online”, com o objetivo de desenvolver, desde a infância, a capacidade de utilizar a tecnologia a seu favor e identificar e cessar a reprodução desses discursos impedindo sua legitimidade social. Feito isso, o conflito vivenciado na série não se tornará realidade.