Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 30/10/2020

Embora Hatsheptsut – única mulher a obter título de faraó – promovera um governo próspero, Tutmes III tentou apagá-la da memória social por meio da destruição daquilo construído por ela. À vista disso, cabe abordar do comportamento social atual de promover a humilhação, sobretudo nas redes virtuais. Logo, para mitigar esse revés, faz-se preciso dissertar tanto sobre a existência de diversos rótulos quanto sobre a (in)equidade fora das redes, que a influencia.

A princípio, urge apontar a presença de muitos “rótulos” ditos femininos na sociedade canarinha. Na série canadense “Anne With An E”, a personagem principal (Anne) quase foi devolvida ao orfanato pela errônea ideia de que, por ser uma menina, estaria incapacitada de ajudar no trabalho da fazenda. Entretanto, nota-se o sexismo infundido nessa concepção porquanto demonstra a subserviência como função das mulheres. Ora, se, fora da ficção, todos cidadãos detêm os mesmos direitos, independentemente do seu sexo, a existência desses “papéis de gênero” é a materialização de uma Carta Magna ineficiente – nas palavras da jovem, “uma garota pode fazer tudo que um garoto faz, e mais”. Então, a desconstrução dessa imagem, para mitigar linchamentos misóginos é premente.

Ademais, convém ressaltar a disparidade camuflada no discurso meritocrático. De acordo com uma matéria de 2019 do portal de notícias G1, mulheres recebem menos que homens em todos cargos e áreas além de serem minorias nos cargos de gestão. Isso ocorre, dentre muitas causas, em virtude da consciência social ser massificada pelo machismo, cooperando para a perpetuação da responsabilização total das mulheres pela ocupação doméstica e pelo cuidado com os filhos. Assim, muitas cidadãs não podem competir efetivamente no mercado de trabalho devido à dificuldade de conciliar seu ofício e seus afazeres, enquanto grande parte dos homens só precisa gerenciar o trabalho fora de casa. Dessa forma, o “segundo sexo” não possui as mesmas oportunidades, nem mesmo fora do universo cibernético.

Portanto, antes que a plena cidadania seja inalcançável é essencial intervir na realidade para influenciar o virtual. Para tanto, faz-se mister que o Ministério da Educação e Cultura (MEC), crie, mediante verbas governamentais, oficinas educativas com o tema “a luta pela equidade dos sexos e a cobrança pela efetividade das lei. Isso deve ser feito com o fito de não apenas conscientizar os jovens cidadãos brasilienses a respeito da problemática, mas também de estimular protagonismo e do empoderamento feminino desde cedo. Além disso, o Governo deve realizar uma pesquisa para verificar as firmas com maior discrepância de salários e multá-las. Quiçá, então, será possível salvaguardar a presença, no caso, feminina no setor tecnológico.