Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 02/11/2020

A falsa liberdade de expressão

Na série “Black Mirror”, o episódio “Odiados pela nação” retrata a história de indivíduos que postaram em suas redes sociais comentários infelizes, preconceituosos e por isso se tornaram alvos de linchamentos virtuais. Bem como, nos dias de hoje, que os linchadores virtuais acreditam estar exercendo o direito de liberdade de expressão para disseminar mensagens de ódio ao que julgam como errado e isso pode acarretar a graves consequências as vítimas desse tipo de linchamento, tanto psicológicas como na vida social dessas pessoas.

Ademais, o artigo 5º da Constituição Federal de 1988, denomina a liberdade de expressão como um direito de todos os indivíduos. Por outro lado, não se classifica direito de expressão comentários contra a honra e injúria racial. Segundo o artigo 1º da Declaração Universal dos Direito Humanos, “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, o que demonstra que há limites para expressar opiniões de modo a não ferir a dignidade do outro. E tal fato, infelizmente ainda não é compreendido por linchadores virtuais que se denominam “justiceiros”, adeptos dos bons costumes para julgar opiniões opostas.

Além disso, as consequências de um linchamento virtual pode ser devastadora e até mesmo motivar o suicídio, como foi o caso da jovem Aline Araújo, que interrompeu a própria vida após ser deixada no altar e ser linchada nas redes sociais por ter realizado o casamento “com ela mesma”, o que gerou vários comentários negativos à atitude da jovem, que consequentemente contribuíram para o suicídio. Da mesma forma, as postagens virtuais cumprem um papel influenciador na realidade das pessoas, não como um mundo que difere à realidade, mas sim, um mundo paralelo que contribui e se relaciona diretamente ao mundo real, capaz de influenciar escolhas e atitudes.

Portanto, o Governo em parceria com as Mídias Sociais, devem criar leis que responsabilizem as pessoas que praticam linchamento virtual, bem como conscientizar os usuários das redes sociais com informações sobre os riscos do linchamento e as suas consequências, através de propagandas, que incentivem a empatia e a tolerância, para que os indivíduos compreendam o peso das suas postagens na vida de outras pessoas, para que os usuários tenham cautela ao disseminar notícias e conferir fontes, e assim usufruir um uso empático da internet.