Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 02/11/2020

No ano de 2013, o suicídio da adolescente britânica Hanna Smith chamou atenção do mundo inteiro para as devastadoras consequências do bullying virtual. Sete anos depois, o alcance das redes sociais cresce exponencialmente e problemas como o de Hanna continuam ocorrendo. Os chamados “linchamentos virtuais” e a “cultura do cancelamento”, que afetam principalmente os jovens influenciadores digitais, apesar de se firmarem no universo virtual, impactam de forma drástica no mundo real. Por tal motivo, faz-se necessário educar e legislar mais e melhor sobre o tema, em conformidade com o novo contexto.

A principio, como afirma Thomas Hobbes, “o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população”. Não é isso que ocorre, entretanto, quando os poderes são omissos em relação ao que ocorre na internet. A rede já não é mais novidade, e ainda assim faltam leis capazes de regê-la. A tão aguardada Lei Geral de Proteção de Dados, por exemplo, só passou a vigorar em 2020. Isso mostra que a legislação caminha a passos muito mais lentos que a rede, e o Estado acaba por não cumprir sua missão supracitada no que concerne ao mundo virtual.

Além disso, no quesito educativo, cabe ressaltar que saber acessar a internet não é o mesmo que saber usá-la de forma responsável. Sem as devidas orientações e ainda sem maturidade para medir consequências, crianças e adolescentes se expõem e expõem os outros a atos psicologicamente violentos. Como afirmou a mãe da tiktoker Luara Fonseca, de 15 anos,  a imaturidade de um adolescente nas redes pode causar o adoecimento mental de outro. Nesse sentido, educar e conscientizar esse público é fundamental.

É primordial, portanto, que a educação para as redes seja inclusa pelo MEC na Base Nacional Curricular Comum, dentro da Sociologia. Com essa diretriz, tornar-se-a obrigatório o debate em sala de aula sobre as relações e o convívio no ambiente virtual. Só dessa forma há de se evitar que vidas como a de Hanna continuem a ser ceifadas pela cultura do cancelamento.