Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 02/11/2020
O documentário “O Dilema das Redes”, lançado em 2020, é composto por alertas de especialistas e profissionais da área de tecnologia, relatando os efeitos causados pelo uso dessas redes. Um desses efeitos citados seria referente ao linchamento virtual, que vem se propagando e gerando danos morais e éticos ao meio social. Em conformidade à obra, o panorama atual é preocupante. Contudo, estes comportamentos agressivos vem gerando impasses na segurança pública e na saúde mental dos usuários, consequentemente, uma problemática a ser resolvida.
Em primeira análise, a causa que gera essa reação popular desproporcional é a manipulação do usuário através dessas redes. Sob esse cenário, redes como o Facebook, Twitter, Instagram, Google, entre outras, são conhecidas por estimular a comunicação e o entretenimento, mas seus efeitos colaterais são desconhecidos. Assim, segundo um estudo feito em 2019 pelo jornal científico Science, no Twitter, as fake news se propagam 70% a mais do que as notícias verdadeiras, ou seja, os usuários não tem discernimento em relação ao que é falso e ao que é verídico, cito como exemplo o caso do youtuber Felipe Neto, com mais de 40 milhões de inscritos no Youtube, que é vítima frequente de notícias falsas e de ameaças. Desta maneira, as redes sociais são ambientes extremamente negligentes que colaboram para o julgamento moral da sociedade acerca dessas publicações, gerando comportamentos agressivos e colocando em risco a segurança de milhões de indivíduos.
Ademais, é válido salientar o impacto negativo na saúde mental desses usuários, motivado por esse comportamento. De acordo com o filósofo e sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, “A sociedade líquida é composta por muita informação e pouco conhecimento”, visto que nos dias atuais somos bombardeados de informações a todo instante e não possuímos nenhum conhecimento teórico ou científico desses meios. Tal circunstância realça o aumento dos casos de depressão, ansiedade, transtornos alimentares, síndrome do pânico, suicídio, entre outros, tendo relação direta à propagação da conectividade e na insistência em obter mais seguidores, mais curtidas e maior visibilidade nas redes, acarretando em uma vida para agradar terceiros em busca da felicidade.
Portanto, para que as gerações futuras sejam consciente de suas ações e saudáveis psicologicamente, medidas devem ser tomadas. O Governo Federal deve iniciar um projeto em parcerias as empresas digitais, propagando por meio de veículos midiáticos uma campanha de conscientização referente ao uso dessas ferramentas, estimulando dinâmicas e palestras acerca da educação digital para os alunos de ensino fundamental e médio, a fim de estimular atitudes empáticas e resilientes ao invés do linchamento virtual. Com isso, espera-se frear os comportamentos agressivos nas redes sociais.