Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 03/11/2020

O documentário “O Dilema das Redes”, lançado em 2020, é composto por alertas de especialistas e profissionais da área de tecnologia, relatando os efeitos causados pelo uso das redes sociais, um deles seria o linchamento virtual, que vem gerando consequências físicas. Infelizmente, o panorama atual é preocupante, visto que comentários ofensivos e discursos de ódio estão cada vez mais presentes nessas plataformas. No entanto, é perceptível a falta de empatia dos usuários, alimentado pela impunidade desses atos, por conseguinte, uma problemática a ser resolvida.

Em primeiro plano, urge analisar a causa motivadora de atos imorais e antiéticos no ambiente virtual. Em conformidade ao pensamento do filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman, em uma entrevista ao jornal El País, ele afirma que na modernidade líquida, as redes sociais são uma armadilha, pois elas não ensinam os seres humanos a dialogarem, porque nesse ambiente é muito fácil de evitar a controvérsia. Dessa maneira, o meio digital faz com que as pessoas fiquem presas em bolhas sociais, com idéias e perspectivas semelhantes à seus princípios. Essa prática fomenta a falta de empatia dessas pessoas, refletindo em agressões verbais e discriminações em redes como o Facebook, Twitter, Instagram, entre outras, presentes no cotidiano de milhões de indivíduos.

Simultaneamente, percebe-se que faltam leis para nortear o comportamento desse usuários, denotando um ambiente inseguro. Nessa perspectiva, cito como exemplo o caso do Felipe Neto, com mais de 40 milhões de inscritos no Youtube, é vítima frequente de comentários ofensivos, ameaças, perseguições e de notícias falsas. Desse modo, empresas de comunicação digital e o Estado são negligentes em permitir atos como esse, no qual comentários em publicações pode colocar em risco a vida de diversas pessoas, isso requer um conjunto de regras a ser seguido em tal ambiente, disponibilizando penas e sanções aos que descumprirem.

Portanto, para que as gerações futuram ajam com responsabilidade no ambiente virtual, medidas devem ser tomadas. O Ministério da Educação deve criar uma iniciativa, por meio de um projeto de lei entregue a Câmara dos Deputados, oficializando a disciplina de educação digital na grade curricular obrigatória de estudantes do ensino fundamental e médio, promovendo dinâmicas e conteúdos assertivos referente ao comportamento ético nas redes sociais, a fim de estimular a empatia e a disciplina nesses jovens. Com isso, espera-se que o desempenho dos usuários nas redes sociais seja positivo.