Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 25/12/2020
De acordo com o jornalista irlandês George Shaw, é impossível haver progresso sem que haja mudança. Sob esse prisma, nota-se que, na conjuntura atual, o meio virtual, que foi desenvolvido com o intuito de facilitar a vida das pessoas, também tem se tornado palco de ofensas e comportamentos violentos, que caracterizam-se como obstáculos para o avanço da sociedade. Tal problemática liga-se intrinsecamente a dois principais aspectos.
A priori, é possível constatar que a normalização do ato de fazer justiça por meio das redes sociais é um fator preponderante para a intensificação do impasse. A filósofa alemã Hanna Arendt, em sua obra “Eichmann em Jerusalém”, desenvolveu a ideia de “banalidade do mal”, a qual afirma que determinadas ações, antes consideradas como negativas e moralmente censuráveis, de tanto serem repetidas, acabam se transformando em algo banal e sendo incorporadas à sociedade. Nesse sentido, pode-se observar que tal pensamento se faz presente na Era Digital, uma vez que a falta de empatia e sensibilidade por parte dos indivíuos, demonstradas por meio de ofensas e difamações na Internet, se tornam cada vez mais comuns. Assim, o problema continua a se perpetuar e trazer prejuízos aos usuários.
Além disso, a ausência de uma fiscalização efetiva no tocante a linchamentos no ciberespaço configura-se como mola propulsora da problemática. Consoante o sociólogo Dahrendorf, no livro “A Lei e a Ordem”, a anomia é uma condição social na qual as normas reguladoras do comportamento dos indivíduos perderam sua validade. Nessa perspectiva, vê-se que, embora os crimes de calúnia, difamação e injúria nas redes sociais sejam previstos nos artigos 138, 139 e 140 do Código Penal, respectivamente, aqueles que os cometem, muitas vezes, não são punidos. Dessa forma, inúmeros usuários se aproveitam dessa situação para destilarem ódio e expressarem suas opiniões nas publicações alheias, causando danos emocionais e financeiros aos alvos de tais ofensas.
É mister, portanto, que medidas sejam tomadas para reverter o quadro atual. Urge que as empresas criadoras de aplicativos como Instagram, Facebook, WhatsApp, Twitter e demais, reforcem a fiscalização dos comentários de seus usuários, por meio do estabelecimento de inteligência artificial que rastreie palavras de cunho ofensivo ou que afetem a moral dos indivíduos, e, ao concluir que algum crime foi praticado, conceda a devida punição aos envolvidos, com o fito de evitar que mais pessoas sejam prejudicas por linchamentos na Internet. Desse modo, o progresso da sociedade, nesse âmbito, poderia ser alcançado.