Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 12/11/2020

A série britânica “Black Mirror” retrata, em um de seus episódios, o caso de uma jornalista que foi assassinada pela população após escrever e publicar uma notícia polêmica na internet. Não tão distante da ficção, os internautas brasileiros vêm sofrendo com o linchamento virtual, que consiste na violência cibernética, que também pode se tornar real e física, contra alguém que tenha tomado atitudes condenáveis. Diante dessa problemática, faz-se necessário entender a razão da grande ocorrência dos ataques e a magnitude das consequências dessa prática.

Primeiramente, é de imensa relevância compreender a motivação da grande onda de linchamentos virtuais no Brasil. Para a filósofa Hannah Arendt, a humanidade possui tendências de “banalizar o mal”, ou seja, encarar o mal como algo comum e natural. Tal pensamento reflete as atuais ações da população brasileira, uma vez que há um grande índice de violência cibernética contra àqueles considerados transgressores pela massa. Essa agressividade, no meio tecnológico, ocorre pela vontade ferrenha de fazer justiça por conta própria em oposição a quaisquer erros que, principalmente, pessoas muito influentes nas redes sociais, como artistas, jogadores de futebol, jornalistas e “digital influencers” possam cometer.

Outrossim, é de extrema importância debater acerca da gravidade dos ataques virtuais no Brasil contemporâneo. Consoante o portal de notícias “G1”, em 2014, uma mulher foi agredida e humilhada pelos usuários, nas redes sociais, e foi espancada até a morte após boatos que circularam na internet afirmarem que a vítima praticava magia negra contra crianças. Isso é um exemplo de que a violência que ocorre no meio virtual pode também ter severas consequências na esfera real: o linchamento cibernético, dentre tantos outros desdobramentos, pode acarretar danos físicos, transtornos mentais, ansiedade, depressão, suicídio, além de demissão e perda de contratos. Em suma, o indivíduo é, geralmente, resumido e reduzido ao seu erro, o que o torna suscetível a qualquer tipo de violência vinda dos “juízes” da esfera tecnológica.

Diante do exposto, imprescinde que medidas sejam empreendidas para atenuar a incidência de linchamentos na internet. Cabe, pois, à sociedade evitar fazer justiça por conta própria, de modo a reportar ao site as ações de um usuário que não sejam coerentes com as normas, além de denunciar às autoridades legais do país o internauta que cometer algum crime, a fim de impedir a violência cibernética e real. Ademais, compete à população ser tolerante e praticar a empatia, tendo como objetivo fazer com que o autor da ideia ou ação imprópria reconheça o seu equívoco e se desculpe com o público, com o intuito de inibir ocorrências violentas como a da série Black Mirror.