Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 01/12/2020

Segundo Albert Einstein, “o espírito humano deve prevalecer sobre a tecnologia”. Por certo, com o advento das redes sociais, sentimentos valorizados na sociedade, como compreensão e solidariedade, estão sendo substituídos por práticas que visam segregar as pessoas, no fenômeno conhecido como “cultura do cancelamento” ou linchamento virtual. Devido à libertinagem na internet, esse fenômeno ganhou rápida proporção, contudo ele vem causando desequilíbrio na saúde mental de suas vítimas . Nesse sentido, o cancelamento tem início na internet, mas possui consequências na realidade.

Sobretudo, a libertinagem se manifesta quando um indivíduo faz críticas ofensivas à outro, justificando-se pelo direito da liberdade de expressão. Destaca-se que essa prática é mais comum nas plataformas digitais, pois não há confronto direto entre as pessoas e os perfis pessoais podem permanecer no anonimato, situações que dão coragem para o indivíduo ofender o outro sem maiores consequências. Nessas circunstâncias, a “cultura do cancelamento” adquiriu grande adesão, pois ela consiste na  dura crítica às publicações que ferem a ideia de desconstrução social, como conteúdos de cunho racista. Assim, o cancelamento tem apenas o intuito de condenar as pessoas e não as corrigir pelos seus atos.

Como resultado de tal represália e julgamento duro, as pessoas canceladas podem sofrer psicologicamente. A título de exemplo, tem-se a influenciadora digital Alinne Araújo, a qual sofreu ataques após publicar que seu noivo a teria deixado um dia antes do casamento, sendo acusada de falsidade. Com a grande repercussão do caso, a jovem que já enfrentava a depressão, cometeu suicídio. Certamente, o linchamento virtual é uma forma agressiva e intolerante de apontar erros, pois além de ofender, não da importância para o arrependimento da vítima, gerando o sentimento de abandono e desprezo nessas pessoas. Então, essa prática torna o acusado mais suscetível a problemas como ansiedade, depressão.

Portanto, a libertinagem na internet viabiliza o linchamento virtual, o qual afeta a saúde mental das vítimas dessa prática. Assim, é necessário que as escolas promovam atividades com os alunos envolvendo o tema liberdade versus libertinagem, como apresentações teatrais e debates, que façam os jovens compreenderem desde novos sobre as consequências dos abusos da liberdade de expressão para o convívio entre as pessoas. Ademais, é preciso que a mídia exponha em programas de alta audiência, como o “Fantástico”, o fenômeno do cancelamento nas redes sociais, mostrando os efeitos para a saúde mental das vítimas, bem como alternativas para evitar o linchamento virtual, através de meios mais pacíficos de diálogo, a fim de ampliar os espaços saudáveis na internet.