Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 13/11/2020
A série britânica “Black Mirror” é caracterizada por satirizar a forma como a tecnologia pode afetar a humanidade. Dentre outros temas, o seriado aborda a influência das redes digitais no comportamento das personagens. Fora da ficção, as práticas de linchamentos virtuais – discurso de ódio, racismo e crimes cibernéticos – não são diferentes dos da trama e podem comprometer os direitos constitucionais da população brasileira. Nesse contexto, não há dúvidas de que esse mal é um desafio, o qual ocorre não só devido à negligência governamental, mas também da falta de empatia.
Vale destacar, de início, que a desídia governamental potencializa as práticas de linchamentos virtuais. Isso porque, segundo Aristóteles, em seu livro “Ética a Nicômaco”, “a política existe para preservar a felicidade da nação”. No entanto, o cenário atual rompe com o ideal proposto pelo filósofo, visto que as redes sociais se tornaram constantes mecanismos de difusão de comportamentos hostis. Para tal, basta analisar a matéria do portal de notícias G1, de 2020, a qual ressalta que 78% dos usuários do faceboock disseminam mensagens agressivas contra figuras públicas. Desse modo, evidencia-se que essas patologias cibernéticas constituem um atendado às instituições democráticas, em função de transgredirem preceitos constitucionais.
Faz–se mister, ainda, salientar a falta de empatia como uma “arma” difamatória dentro da internet. Isso pode ser explicado pelo fato da coletividade nupérrima viver em um “Estado de Anomia”, definido pelo sociólogo Émile Durkheim como um espaço de profundo descontrole social, em virtude do desprezo, egoísmo e individualismo entre as pessoas. Em consequência disso, conforme pesquisa da Associação Brasileira de Internet, de 2020, nos últimos 10 anos, houve aumento de 110% nas ocorrências de linchamentos virtuais, sobretudo na questão da difamação, calúnia e racismo. Dessa maneira, denota-se a importância do engajamento civil em pregar por um campo digital mais plural, tolerante e consciente.
Portanto, com o intuito de mitigar a gravidade dos linchamentos virtuais no Brasil, cabe ao Ministério da Educação, mediante parceria público-privado, implementar uma disciplina específica voltada para a instrução digital nos centros de ensino. Ademais, tais ações contarão com o apoio de recursos tecnológicos de empresas e profissionais qualificados da área da internet e da saúde. Isso pode ser feito a partir de aulas práticas e teóricas, além de palestras socioeducativas, com a finalidade de despertar a empatia e a consciência crítica em prol do bom uso das redes sociais. Assim, proporcionar-se-á sumo bem-estar geral, destarte, a nação desfrutará dos direitos garantidos pela Carta Magna.