Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 13/11/2020
Umberto Eco, escritor italiano, julgou a sociedade do século XXI ao advertir que deveríamos parar de zombar da Idade Média, pois ela estaria mais próxima de nós do que imaginamos. Esse pensamento, que remete as barbáries do período medieval, toma forma frente a ocorridos como o linchamento virtual que pessoas sofrem diariamente. Dessa forma, é possível constatar como isso começa, bem como seus efeitos.
Segundo o filósofo Rousseau, a natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável. Nesse contexto, observa-se, todos os dias, no cenário virtual, pessoas se passando por justiçeiros ao julgar e linchar alguém. Tal comportamento, costuma ter um efeito manada, ao começar com uma pessoa e tomar proporções fora de controle, como até ameaças de morte. Ademais, esse fenômeno começa quando um indivíduo aplica seu juízo de valor a fala ou atitude de outra, a julgando politicamente incorreta ou não. Por consequinte, surge a reação desproporcional de um grupo de pessoas em cima da vítima.
Não obstante, na atualidade observa-se uma cultura denominada “cancelamento”, a qual é acordado o boicote coletivo em um artista que teve falas julgadas como infelizes, mesmo após se desculparem. Dessa forma, fica claro a ausência da vontade de ensinar e corrigir o erro da vítima do linchamento, e a grande necessidade das pessoas de apenas julgar e atacar, com o intuito de se sentirem moralmente superiores. Apesar de serem virtuais, as consequências desses ataques são tão graves quanto se fossem pessoalmene, a vítima pode ficar deprimida, ansiosa e traumatizada por muito tempo.
Dessa forma, diante do exposto, medidas exerquíveis são necessárias para extinguir esse problema. O Poder Executivo Federal, pode fazer campanhas em parceiria com grandes veículos midiáticos, durante o horário nobre, contextualizando sobre o tema e usando profissionais com dados estatísticos, garantindo o convencimento social. Além disso, a sociedade precisa conhecer as ferramentas que a vítima possui legalmente, como processos de danos morais, calúnia, difamação e injúria, para isso, o Governo Federal pode criar campanhas de conscientização por meio das redes sociais, como um portal ou site específico para esse tópico. Assim, talvez, seja possível distanciar-se do diagnóstico feito por Umberto Eco sobre a sociedade contemporanêa.