Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 16/11/2020
Émile Durkheim, sociólogo francês, pensava que o homem é fortemente moldado pela sociedade em que ele vive, ou seja, a consciência individual é sempre formada e condicionada pelo espírito coletivo. A partir dessa análise, é possível traçar pontos de encontro com a realidade atual acerca dos linchamentos virtuais, atitudes de “justiceiros” para com as condutas erradas na internet. Assim, é necessário proceder um debate a respeito do porquê agir com violência nas redes sociais, como mensagens de ódio e ameaças e, o reflexo desse comportamento na sociedade atual.
É válido ressaltar, a princípio, que a liberdade de expressão é um direito do indivíduo. Conquanto, injúrias, ofensas e ameaças nas redes não estão isentas de punição. A exemplo, recente caso noticiado pelo Portal G1, a jornalista e apresentadora Maria Júlia Coutinho que foi alvo de injúrias raciais e comentários maldosos por perfis falsos na página oficial do Jornal Nacional. Ademais, os acusados foram punidos, evidenciando que mesmo os agressores que se utilizam da web para cometer os crimes, podem ser encontrados e condenados. Assim, é necessário buscar maneiras de reverter a falta de maturidade e, até mesmo, de empatia que a comunidade virtual tem para com os demais.
Ademais, a comunidade virtual apresenta não possuir maturidade e, até mesmo, empatia para lidar com as ideais divergentes vistas na internet. Prova disso, ficcionalmente, na série “Black Mirror”, que apresenta a realidade negativa na internet, é apresentado no episódio “Odiados pela Nação” o ódio semeado pelos internautas ao subirem a tag “death to” (morte para), aos donos das postagens que não agradaram aos demais usuários e, após grande repercussão, seus alvos foram encontrados mortos. Fora da ficção, é notável que a tecnologia pode ser usada de forma maléfica, e muitas vezes o que é postado nas mídias sociais pode acarretar a morte dos indivíduos por não haver medidas nas postagens dos usuários.
Diante dos fatos supracitados, a autonomia dos cibernautas nas redes por vezes é utilizada de forma errônea. Dessa maneira, faz-se necessária a utilização dos próprios meios midiáticos com anúncios e post’s, pelas delegacias cibercrimes, para informar e ajudar as vítimas nas denúncias. Ademais, a efetivação do artigo 140 do código penal que condena a injúria na internet, pelo poder executivo, auxiliará, fazendo com que a internet seja utilizada apenas como um instrumento agradável aos usuários. Assim, será possível moldar a sociedade condicionada de forma positiva e, a partir disso, presenciar a ideia de Émile Durkheim como algo favorável ao corpo social.